05/02/2026
Crónicas duma Petsitter — O dia em que o meu anjo da guarda está prestes a desistir de mim…
Quando juntas, tempestades atrás de tempestades, daquelas que não pedem licença, não dão tréguas e fazem-te questionar as tuas escolhas de vida, com um cachorro em aprendizagem a fazer as necessidades na rua (o Pancho — ou Panchito,porque juro que ele é tão pequeno que as vezes está mesmo ao meu lado e eu não o vejo e ando a chamar feita maluca) o resultado não pode ser bom.
A missão era simples: ir à rua, fazer as necessidades e voltar inteira para casa. Spoiler: falhei numa das partes.
Saio à rua equipada como um boneco da Michelin em versão petsitter: camadas infinitas de roupa, casaco, capa da chuva, gorro enfiado na cabeça ao melhor estilo Margem Sul thug life. Faltava-me só a música de fundo e um cigarro imaginário.
Chovia. Claro que chovia, porque não tem acontecido outra coisa!
Refugiei-me debaixo do prédio, aquele clássico abrigo ilusório que não protege de nada mas dá uma falsa sensação de controlo. O Pancho faz o que tem a fazer — eficiente, profissional, sem dramas. Chamo-o para voltarmos para casa, viro-me confiante, e…
PIMBA.
Cabeçada direta no ferro do estendal da roupa.
Não foi uma cabeçada metafórica. Foi daquelas que se ouvem na alma. Daquelas que fazem ver estrelas mesmo à luz do dia. Resultado imediato: um mega galo, vermelho, um bocadinho de sangue e a dignidade completamente abandonada no passeio.
O Pancho olhou para mim. Eu olhei para o Pancho. Nenhum de nós comentou nada, mas ficou claro que o meu anjo da guarda estava algures ao fundo da rua, de mãos na cabeça, a reconsiderar a carreira.
Voltei para casa ensopada, com um alto na testa digno de um unicórnio falhado, a pingar chuva e arrependimentos, a pensar que há profissões perigosas… e depois há a minha.
Moral da história: antes de olhares para o chão à procura de cocó, olha para cima. O universo adora pôr estendais de roupa no nosso caminho.E eu sou claramente um alvo fácil.