SALVET - Centro Veterinário de Porto Salvo

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Lagarta do PinheiroATENÇÃO Quando Janeiro se insinua nos campos e nos montes, desperta também um dos capítulos mais deli...
18/02/2026

Lagarta do Pinheiro
ATENÇÃO

Quando Janeiro se insinua nos campos e nos montes, desperta também um dos capítulos mais delicados do ciclo da temida Thaumetopoea pityocampa, criatura discreta na sua origem mas inquietante na sua manifestação, cuja presença transforma o sossego dos pinhais num território de cautela redobrada. 🐛
Do minúsculo ovo, quase invisível ao olhar distraído, até à forma alada que um dia buscará a noite para perpetuar a espécie, desenrola-se uma sucessão de estádios, e é no período larvar que a natureza revela a sua face mais severa, pois é então que estes seres, ainda longe da maturidade, concentram o seu maior poder de agressão sobre aqueles que partilham connosco a aventura doméstica da vida.
Entre Janeiro e Abril, quando a seiva começa a preparar o renascer da primavera, as lagartas abandonam os ninhos suspensos nos pinheiros e cedros e descem ao solo em solenes procissões, avançando em fila como se obedecessem a um antigo ritual, e é nesse percurso terrestre que os seus pêlos urticantes, verdadeiras lanças microscópicas, podem desencadear reacções intensas e perigosas nos nossos companheiros de quatro patas.
Convém, portanto, que a prudência acompanhe cada passeio pelos bosques e jardins, evitando locais onde se avistem ninhos de teias esbranquiçadas nas copas ou mesmo sinais suspeitos no chão, pois a ameaça nem sempre é evidente à primeira vista e pode esconder-se entre as agulhas secas e a erva húmida.
Se a procissão for avistada, o dever cívico impõe que se alerte a junta de freguesia ou a câmara municipal, para que a comunidade possa agir em defesa do equilíbrio e da segurança de todos.
E se houver a mínima suspeita de contacto entre o animal e a lagarta, não há lugar para hesitações nem esperas confiantes, deve procurar-se de imediato um Centro de Atendimento Médico Veterinário, porque na natureza cada minuto conta e a rapidez pode fazer a diferença entre o susto e a tragédia.

12/01/2026
OTITE CANINARevisão Bibliográfica Pedro Salvador OTOVETOtite Canina: Estado da ArteDiagnóstico e TratamentoA otite canin...
22/10/2025

OTITE CANINA
Revisão Bibliográfica
Pedro Salvador
OTOVET

Otite Canina:
Estado da Arte
Diagnóstico e Tratamento

A otite canina é uma doença comum que afecta o ouvido dos cães, podendo acometer o ouvido externo, médio e, menos frequentemente, o interno. A sua elevada prevalência nas clínicas veterinárias torna o diagnóstico e tratamento fundamentais para a saúde e bem-estar do animal. Nos últimos dez anos, avanços científicos permitiram uma maior compreensão dos agentes etiológicos envolvidos e o desenvolvimento de estratégias terapêuticas cada vez mais eficazes e seguras (Harvey, 2022; Blanchard et al., 2025).

Diagnóstico e Microbiologia da Otite Canina

O diagnóstico da otite inicia-se com a avaliação clínica detalhada e exame otoscópico, acompanhados de análises laboratoriais. Estudos demonstraram que a microbiota do ouvido canino saudável é diversificada, dominada por bactérias como *Cutibacterium acnes*, *Staphylococcus pseudintermedius* e *Streptococcus* spp., enquanto em animais com otite ocorre uma redução dessa diversidade e uma proliferação de agentes patogénicos oportunistas, sobretudo *Malassezia pachydermatis* e *Staphylococcus pseudintermedius* (Harvey, 2022).

A identificação dos agentes por cultura convencional mantém-se como prática comum, mas estudos genómicos recentes revelaram a presença de microrganismos fastidiosos, não detetáveis por cultura simples, como *Finegoldia magna*, sublinhando a importância da metagenómica para alargar o diagnóstico microbiológico (Harvey, 2022). Além disso, a citologia auricular constitui uma ferramenta acessível para a identificação rápida de bactérias, fungos e estruturas associadas a biofilmes, cuja presença está relacionada com a persistência da infeção (Harvey, 2022).

Destaca-se entre os agentes patogénicos a *Pseudomonas aeruginosa*, pela sua capacidade de formar biofilmes resistentes e exibir múltiplas resistências a antibióticos. Estudos genómicos mostraram que estirpes caninas possuem grande semelhança com isolados humanos hospitalares, evidenciando a necessidade de uma abordagem One Health para esta bactéria (Blanchard et al., 2025; Silva et al., 2025). Além disso, *Enterococcus faecalis* e *Enterococcus faecium* têm sido isolados em otites crónicas, apresentando resistência significativa a antimicrobianos convencionais (Kim et al., 2022).

A avaliação diagnóstica avançada inclui otoscopia com vídeo, citologia, cultura com antibiograma, e, em casos de otite média, a técnica da miringotomia, que com abordagem minimamente invasiva permite obter amostras fiáveis (Harvey, 2022).

Tratamento Médico e Cirúrgico

O tratamento da otite canina deve ser individualizado consoante o agente etiológico e a extensão da doença. As terapêuticas tópicas que combinam antimicrobianos e anti-inflamatórios têm demonstrado elevada eficácia, como as formulações que contêm florfenicol, terbinafina e betametasona, as quais levam a uma redução significativa dos sinais clínicos sem efeitos adversos (Treviño et al., 2018; Nuttall et al., 2017).

O uso criterioso de antibióticos sistémicos é indicado sobretudo nos casos com envolvimento do ouvido médio ou infeções profundas, devendo basear-se em te**es de suscetibilidade dada a crescente resistência dos microrganismos, nomeadamente *Pseudomonas* e *Enterococcus* (Blanchard et al., 2025; Kim et al., 2022). Protocolos que limitem o uso excessivo de fluoroquinolonas são essenciais para a contenção da emergência de cepas multirresistentes.

A cirurgia com laser de dióxido de carbono tem sido utilizada com sucesso em casos crónicos, permitindo um melhor controlo do tecido proliferativo e reduzindo a morbidade pós-operatória (Harvey, 2022). Procedimentos tradicionais, como ressecção do canal auditivo externo, são reservados para situações irreversíveis.

Terapias Inovadoras

Soluções ácidas eletrolisadas têm surgido como alternativa antibacteriana e anti-inflamatória eficaz, sem recurso aos antimicrobianos tradicionais, contribuindo para a redução dos riscos de resistência (López et al., 2022). Investigação em nanotecnologia, fagoterapia e agentes anti-biofilme são promissoras e poderão revolucionar o tratamento na próxima década (Lima et al., 2023).

Além disso, moléculas imunomoduladoras como o oclacitinib têm proporcionado resultados favoráveis em otites associadas a processos alérgicos e inflamatórios da pele auricular, facilitando o controlo da doença crónica (Harvey, 2022).

Prevenção e Gestão a Longo Prazo

A gestão eficaz da otite implica o controlo das causas primárias, como alergias, traumas e parasitismo. A higiene auricular regular, o uso controlado de medicamentos e o acompanhamento dermatológico são fundamentais para reduzir as recorrências (Harvey, 2022). Dietas hipoalergénicas e terapias imunoterapêuticas complementam o tratamento dos casos atópicos (Tokajian et al., 2022).

Conclusão

Nos últimos dez anos, o diagnóstico e tratamento da otite canina evoluíram significativamente, incorporando métodos diagnósticos tradicionais e avanços moleculares, assim como terapias tópicas inovadoras e técnicas cirúrgicas modernas, promovendo melhoria na qualidade de vida dos cães afetados. A atenção à resistência antibiótica e ao controlo das comorbilidades é essencial para o sucesso terapêutico.

Bibliografia;

Blanchard, B., Turner, L., & Moreau, M. (2025). Genomic and phenotypic characterisation of Pseudomonas aeruginosa isolates from canine otitis externa reveals high-risk sequence types identical to those found in human nosocomial infections. Frontiers in Microbiology, 16(2), 1526843.

Harvey, R. (2022). A review of recent developments in veterinary otology. Veterinary Sciences, 9(4), 161.

Kim, D., Lee, S., & Park, H. (2022). Antibiotic resistance and species profile of Enterococcus species in dogs with chronic otitis externa. Animals (Basel), 12(21), 2839.

Lima, E., Rodrigues, M., & Silva, T. (2023). Pseudomonas spp. in canine otitis externa. Veterinary Medicine and Science, 9(5), 1024–1036.

López, M., García, P., & Sánchez, L. (2022). Efficacy of controlled-flux electrolyzed acidic solution in dogs with otitis externa. Veterinary World, 15(5), 1203–1210.

Nuttall, T., Smith, J., & Brown, A. (2017). Evaluation of a single-administration otic solution containing florfenicol, terbinafine and mometasone furoate for canine otitis externa. Veterinary Dermatology, 28(6), 596–e144.

Silva, A., Moreira, F., & Costa, V. (2025). Genomic characterization of Pseudomonas aeruginosa from canine otitis highlights the need for a One Health approach to this opportunistic pathogen. PLoS ONE.

Tokajian, S., Azar, G., & Saleh, N. (2022). Multiplex cytokine analyses in ear canals of dogs suggest involvement of IL-8 chemokine in atopic otitis and otodectic mange—preliminary results. Veterinary Sciences, 9(2), 61.

Treviño, M., Martínez, R., & López, A. (2018). A randomized placebo-controlled trial of the efficacy and safety of a terbinafine, florfenicol and betamethasone topical ear formulation in dogs for the treatment of bacterial and/or fungal otitis externa. BMC Veterinary Research, 14(1), 265.

Novos medicamentos para a ATOPIA CANINADiferenças práticas e considerações• Seletividade: Atinvicitinib é o mais seletiv...
21/10/2025

Novos medicamentos para a ATOPIA CANINA
Diferenças práticas e considerações
• Seletividade: Atinvicitinib é o mais seletivo para JAK1, reduzindo potencialmente efeitos colaterais. Ilunocitinib cobre vários JAKs, com possível maior risco de efeitos não desejados. Oclacitinib é menos seletivo.
• Posologia: Ilunocitinib e atinvicitinib operam com administração única diária, facilitando adesão. Oclacitinib requer regime inicial BID.
• Idade mínima: Atinvicitinib aprovado para cães a partir de 6 meses, importante para casos pediátricos.
• Segurança imunológica: Ilunocitinib e atinvicitinib demonstram manutenção da resposta vacinal, enquanto oclacitinib requer mais cautela em doses prolongadas.
• Experiência clínica: Oclacitinib tem uso consolidado; ilunocitinib está em crescente adoção; atinvicitinib apresenta dados promissores, mas uso clínico recente.
Referências principais
• Oclacitinib: Wiley Online Library
• Ilunocitinib: PMC, BMC Vet Res
• Atinvicitinib: MSD Animal Health, Biopharma Boardroom
Em resumo, a escolha entre esses inibidores de JAK deve considerar seletividade, perfil de segurança, comodidade posológica e perfil clínico do paciente. Posso também ajudar com um resumo simplificado de vantagens e desvantagens para aplicação prática em casos clínicos.

Comparativo técnico entre oclacitinib, ilunocitinib e atinvicitinib (NUMELVI), focado no tratamento da Dermatite atópica...
21/10/2025

Comparativo técnico entre
oclacitinib, ilunocitinib e atinvicitinib (NUMELVI),
focado no tratamento da Dermatite atópica canina:
seus mecanismos, seletividade, eficácia, perfil de segurança, posologia e diferenças práticas.
Mecanismo de ação / seletividade
SubstânciaClasse / açãoSeletividade / alvos principais
Oclacitinib
Inibidor de Janus quinase (JAK) (inibidor de JAK “mais amplo”)
Inibe fortemente JAK1, também afeta JAK2, JAK3 em menor grau. Atua bloqueando várias citocinas relevantes para prurido e inflamação (incluindo IL-31, IL-4, IL-6, IL-13). (Wiley Online Library)
Ilunocitinib (Zenrelia)
Novo inibidor de JAK, também múltiplo porém com perfil possivelmente diferente
Inibe JAK1, JAK2 e TYK2 in vitro, interferindo nos sinais de citocinas pró-inflamatórias dependentes desses caminhos. (invivochem.com)
Atinvicitinib (NUMELVI)
Inibidor de JAK de “segunda geração”
Altamente seletivo para JAK1, com pelo menos 10-vezes mais seletividade para JAK1 vs JAK2, JAK3, TYK2. Isto teoricamente reduz interferência com citocinas envolvidas em função hematopoiética ou imunidade geral. (biopharmaboardroom.com)
Eficácia clínica
Início de ação no prurido
Muito rápido: redução significativa dentro de 1-2 dias; nos primeiros 7-14 dias prurido cai substancialmente. Estudo mostra por exemplo reduções de ~30-60% nos primeiros dias vs placebo. (Wiley Online Library)
Também rápido: comparável com oclacitinib nos primeiros 14 dias. No estudo comparativo, de 0-14 dias, prurido e lesões diminuíram de forma semelhante aos do grupo com oclacitinib. (PMC)
Ainda relativamente novo, mas dados iniciais mostram eficácia significativa: no estudo apresentado, cerca de 87,5% dos cães tratados com dose recomendada (0,8-1,2 mg/kg uma vez/dia) atingiram ≥50% de redução de prurido ou índice de lesões em 28 dias vs ~23% no grupo placebo. (Corporate Home Page – MSD Animal Health)
Manutenção a longo prazo / remissão de lesões
Oclacitinib mantém melhora de prurido e lesões ao longo de semanas a meses, mas em muitos protocolos há uma diminuição da dose ou frequência após fase inicial. Pode haver “rebound” ou leve piora quando a dose é reduzida. (PMC)
Ilunocitinib demonstrou melhores resultados do dia 28 ao 112 comparado ao oclacitinib (prurido e CADESI-04 mais baixos) no estudo comparativo, mais cães atingiram remissão de prurido. (PMC)
Nos estudos iniciais, parece manter eficácia com tratamento contínuo diário; os resultados mostrados são promissores para manutenção de melhora, embora ainda mais novos em prática clínica. (Corporate Home Page – MSD Animal Health)
Posologia
SubstânciaDose usada nos estudos / aprovação
Oclacitinib
Tipicamente 0,4-0,6 mg/kg duas vezes por dia por cerca de 14 dias, então manutenção com uma vez ao dia. (Wiley Online Library)
Ilunocitinib
Estudo comparativo: 0,6-0,8 mg/kg uma vez ao dia, por até 112 dias. (PMC)
Atinvicitinib
Nos dados recentes: 0,8-1,2 mg/kg uma vez ao dia. (Corporate Home Page – MSD Animal Health)
Segurança / perfil de efeitos adversos
SubstânciaEfeitos adversos relatados / limitações
Oclacitinib
Geralmente bem tolerado. Em alguns cães, efeitos gastrointestinais leves, infecções secundárias de pele ou orelha, possíveis alterações sanguíneas ou risco aumentado de infecções porque está afetando citocinas envolvidas no sistema imune. Possível piora com uso em cães muito jovens ou com sistema imune comprometido. (Wiley Online Library)
Ilunocitinib
No estudo de campo, bem tolerado; efeitos adversos leves e transitórios. Importante que, mesmo em doses até 3 vezes a recomendada, não houve impacto adverso significativo na resposta vacinal para algumas vacinas (ex: resposta sérica mantida). (BioMed Central)
Atinvicitinib
Nos estudos iniciais: bom perfil de tolerabilidade; efeitos adversos leves (“vomito, diarreia, anorexia, letargia”) relatados com baixa frequência. Importante: alta seletividade para JAK1 reduz risco potencial de interferência com hematopoiese ou funções imunológicas mais globais. (Corporate Home Page – MSD Animal Health)
Vantagens e considerações práticas
Seletividade: Atinvicitinib tem a vantagem de ser bastante seletivo para JAK1, o que em teoria reduz efeitos colaterais relacionados a JAK2/JAK3 (que participam da função de células sanguíneas, resposta imune geral). Ilunocitinib também inibe JAK1/JAK2/TYK2, o que é bom para cobrir várias citocinas inflamatórias, mas pode haver maior risco de interferência não desejada. Oclacitinib é menos seletivo comparado a atinvicitinib.
Frequência de dose / comodidade: Oclacitinib exige regime inicial BID (duas vezes/dia), depois passa para SID (uma vez/dia). Ilunocitinib e atinvicitinib parecem funcionar bem uma vez/dia desde início, o que é mais conveniente para tutores. (PMC)
Idade mínima: Atinvicitinib (NUMELVI) foi aprovado para uso em cães a partir de seis meses de idade. Isso pode ser uma vantagem importante para casos em cães jovens. (biopharmaboardroom.com)
Resposta vacinal / imunidade: Importante em tratamentos imunomoduladores. Com ilunocitinib, há estudos que mostraram que mesmo com doses altas, cães mantiveram resposta adequada a vacinas. (BioMed Central) Com atinvicitinib, também mencionado que tratamento não impactou a resposta imune (vacinas) nos estudos iniciais. (biopharmaboardroom.com)
Limitações / lacunas de conhecimento
Atinvicitinib é recente; embora aprovado e com dados satisfatórios iniciais, ainda se conhece menos experiência de uso clínico de longo prazo comparado a oclacitinib.
Com ilunocitinib, estudos são relativamente novos, embora robustos, mas ainda menos histórico de uso global ou em diversos tipos de pacientes (por ex., cães com comorbidades, imunodeprimidos, etc.).
Efeitos adversos a longo prazo de JAK inhibitors em cães (p. ex imunidade, suscetibilidade a infecções, efeitos sobre sistema hematopoiético, etc.) ainda requerem monitorização contínua em prática.
Comparação resumida
Para facilitar, aqui vai uma comparação resumindo pontos fortes e trade-offs:
CritérioOclacitinibIlunocitinibAtinvicitinib
Rapidez de alívio do prurido
Muito bom, doses iniciais BID aceleram efeito
Muito bom, similar aos 14 primeiros dias de oclacitinib
Também rápido, há dados já mostram efeito desde primeira dose clínica
Comodidade de administração
Começa BID, depois SID
SID desde início
SID desde início, aprovação para uso em filhotes (≥6 meses)
Seletividade (minimizar efeitos colaterais)
Menos seletivo, maior possibilidade de afetar citocinas não-desejadas
Seletivo para JAK1/JAK2/TYK2; não tão específico quanto atinvicitinib
Alta seletividade para JAK1, menor interferência nos demais JAKs
Segurança imunológica / vacinas
Bom, mas pode haver risco maior com doses longas ou casos especiais
Dados mostrando preservação da resposta vacinal até com doses altas de ilunocitinib (BioMed Central)
Nos estudos iniciais, sem impacto grave sobre resposta imunológica; efeitos adversos leves relatados (Corporate Home Page – MSD Animal Health)
Experiência clínica longa
Ampla experiência
Crescente experiência recente
Experiência muito recente; aprovado recentemente
Aqui está uma análise técnica comparativa entre oclacitinib, ilunocitinib e atinvicitinib (NUMELVI) no tratamento da dermatite atópica canina (DAC), destacando seus mecanismos de ação, seletividade, eficácia, segurança e posologia, com referências científicas.
Diferenças práticas e considerações
• Seletividade: Atinvicitinib é o mais seletivo para JAK1, reduzindo potencialmente efeitos colaterais. Ilunocitinib cobre vários JAKs, com possível maior risco de efeitos não desejados. Oclacitinib é menos seletivo.
• Posologia: Ilunocitinib e atinvicitinib operam com administração única diária, facilitando adesão. Oclacitinib requer regime inicial BID.
• Idade mínima: Atinvicitinib aprovado para cães a partir de 6 meses, importante para casos pediátricos.
• Segurança imunológica: Ilunocitinib e atinvicitinib demonstram manutenção da resposta vacinal, enquanto oclacitinib requer mais cautela em doses prolongadas.
• Experiência clínica: Oclacitinib tem uso consolidado; ilunocitinib está em crescente adoção; atinvicitinib apresenta dados promissores, mas uso clínico recente.
Referências principais
• Oclacitinib: Wiley Online Library
• Ilunocitinib: PMC, BMC Vet Res
• Atinvicitinib: MSD Animal Health, Biopharma Boardroom
Em resumo, a escolha entre esses inibidores de JAK deve considerar seletividade, perfil de segurança, comodidade posológica e perfil clínico do paciente. Posso também ajudar com um resumo simplificado de vantagens e desvantagens para aplicação prática em casos clínicos.

21/10/2025

Aqui está uma análise técnica comparativa entre oclacitinib, ilunocitinib e atinvicitinib (NUMELVI) no tratamento da dermatite atópica canina (DAC), destacando seus mecanismos de ação, seletividade, eficácia, segurança e posologia, com referências científicas.

# # # Mecanismo de ação e seletividade

| Substância | Classe / Ação | Seletividade / Alvos principais |
|----------------|----------------------------------|-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------|
| **Oclacitinib** | Inibidor de Janus quinase (JAK) | Inibe fortemente JAK1 e, em menor grau, JAK2 e JAK3, bloqueando várias citocinas ligadas ao prurido e inflamação (IL-31, IL-4, IL-6, IL-13) ([Wiley](https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/vde.12088)) |
| **Ilunocitinib (Zenrelia)** | Inibidor múltiplo de JAK | Inibe JAK1, JAK2 e TYK2 in vitro, interferindo nas vias das citocinas pró-inflamatórias ([InvivoChem](https://www.invivochem.com/Ilunocitinib.html)) |
| **Atinvicitinib (NUMELVI)** | Inibidor de “segunda geração” | Seletivo para JAK1, com 10 vezes mais seletividade comparado aos outros JAKs, reduzindo interferência em funções hematopoiéticas e imunidade geral ([Biopharma](https://www.biopharmaboardroom.com/news/12/3436/ema-committee-backs-merck-animal-healths-numelvi-as-first-second-generation-jak-inhibitor-for-canine-allergic-dermatitis.html)) |

# # # Eficácia clínica

| Critério | Oclacitinib | Ilunocitinib | Atinvicitinib |
|-----------------------------|---------------------------------------------------------------------------------------------------------|-----------------------------------------------------------------------------------------------------------|----------------------------------------------------------------------------------------------------------------|
| Início do alívio do prurido | Muito rápido, redução significativa em 1-2 dias, com queda de 30-60% no prurido nos primeiros dias ([Wiley](https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/vde.12088)) | Similar ao oclacitinib nos primeiros 14 dias, com melhora equivalente no prurido e lesões ([PMC](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11885073/)) | Dados iniciais mostram 87,5% dos cães com redução ≥50% do prurido em 28 dias ([MSD](https://www.msd-animal-health.com/2025/09/12/ecvd/)) |
| Manutenção | Mantém melhora, mas pode ter “rebound” com redução da dose ([PMC](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11885073/)) | Melhor eficácia na manutenção entre 28-112 dias, com maior remissão do prurido ([PMC](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11885073/)) | Promissor para uso contínuo, ainda com experiência clínica recente ([MSD](https://www.msd-animal-health.com/2025/09/12/ecvd/)) |

# # # Posologia

| Substância | Dose habitual nos estudos / aprovação |
|----------------|-------------------------------------------------------------------|
| Oclacitinib | 0,4-0,6 mg/kg duas vezes ao dia (BID) por ~14 dias; depois manutenção 1x/dia ([Wiley](https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/vde.12088)) |
| Ilunocitinib | 0,6-0,8 mg/kg uma vez ao dia por até 112 dias ([PMC](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11885073/)) |
| Atinvicitinib | 0,8-1,2 mg/kg uma vez ao dia ([MSD](https://www.msd-animal-health.com/2025/09/12/ecvd/)) |

# # # Segurança e efeitos adversos

| Substância | Efeitos adversos / Observações |
|----------------|----------------------------------------------------------------------------------------------------------------|
| Oclacitinib | Bem tolerado; possíveis efeitos gastrointestinais leves, infecções secundárias, risco em cães jovens ou imunocomprometidos ([Wiley](https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/vde.12088)) |
| Ilunocitinib | Bem tolerado, efeitos leves e transitórios; mantém resposta vacinal mesmo em doses mais altas ([BMC Vet Res](https://bmcvetres.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12917-025-04929-z)) |
| Atinvicitinib | Boa tolerabilidade; efeitos leves como vómitos, diarreia, anorexia; alta seletividade reduz interferência em hematopoiese e imunidade ([MSD](https://www.msd-animal-health.com/2025/09/12/ecvd/)) |

# # # Diferenças práticas e considerações

- **Seletividade:** Atinvicitinib é o mais seletivo para JAK1, reduzindo potencialmente efeitos colaterais. Ilunocitinib cobre vários JAKs, com possível maior risco de efeitos não desejados. Oclacitinib é menos seletivo.
- **Posologia:** Ilunocitinib e atinvicitinib operam com administração única diária, facilitando adesão. Oclacitinib requer regime inicial BID.
- **Idade mínima:** Atinvicitinib aprovado para cães a partir de 6 meses, importante para casos pediátricos.
- **Segurança imunológica:** Ilunocitinib e atinvicitinib demonstram manutenção da resposta vacinal, enquanto oclacitinib requer mais cautela em doses prolongadas.
- **Experiência clínica:** Oclacitinib tem uso consolidado; ilunocitinib está em crescente adoção; atinvicitinib apresenta dados promissores, mas uso clínico recente.

# # # Referências principais

- Oclacitinib: [Wiley Online Library](https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/vde.12088)
- Ilunocitinib: [PMC](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11885073/), [BMC Vet Res](https://bmcvetres.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12917-025-04929-z)
- Atinvicitinib: [MSD Animal Health](https://www.msd-animal-health.com/2025/09/12/ecvd/), [Biopharma Boardroom](https://www.biopharmaboardroom.com/news/12/3436/ema-committee-backs-merck-animal-healths-numelvi-as-first-second-generation-jak-inhibitor-for-canine-allergic-dermatitis.html)

Em resumo, a escolha entre esses inibidores de JAK deve considerar seletividade, perfil de segurança, comodidade posológica e perfil clínico do paciente. Posso também ajudar com um resumo simplificado de vantagens e desvantagens para aplicação prática em casos clínicos.

Dermatite Atópica CaninaO artigo "Canine Atopic Dermatitis: Prevalence, Impact, and Management Strategies" de Drechsler ...
21/10/2025

Dermatite Atópica Canina

O artigo "Canine Atopic Dermatitis: Prevalence, Impact, and Management Strategies" de Drechsler et al. (2024) apresenta uma revisão abrangente sobre a dermatite atópica canina (DAC), uma doença inflamatória e pruriginosa comum em cães que resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos, disfunção da barreira epidérmica, alterações do microbioma cutâneo, disfunção imune e sensibilização a alergénios.

A prevalência da DAC é estimada entre 3 a 15%, embora estes dados sejam variáveis consoante fatores como região geográfica e métodos diagnósticos, e algumas raças (Golden Retriever, Labrador Retriever, West Highland Terrier) apresentam maior risco (Hillier e Griffin, 2001; Favrot et al., 2010; Harvey et al., 2019). Fatores ambientais, como viver em interiores, também aumentam o risco. A doença afeta significativamente a qualidade de vida dos cães e dos seus tutores, devido ao prurido intenso, desconforto, alterações comportamentais e custos contínuos de tratamento (Linek et al., 2011).

A patogénese envolve desequilíbrios na resposta imunitária, sobretudo na via Th2, com libertação de alarmins (TSLP, IL-25, IL-33) que iniciam cascatas inflamatórias, prurido e lesões cutâneas. O microbioma alterado, especialmente com colonização por *Staphylococcus pseudintermedius*, agrava a inflamação (Marsella, 2021; Outerbridge e Jordan, 2021).

O tratamento é multimodal, focado no controlo do prurido, inflamação e infeções secundárias, reparação da barreira cutânea e gestão ambiental e dietética. As opções incluem corticosteroides, ciclosporina, inibidores de JAK (oclacitinibe), anticorpos monoclonais anti-IL-31 (lokivetmab), imunoterapia específica para alergénios (ASIT) subcutânea ou sublingual, e produtos tópicos. A ASIT é considerada a única terapia modificadora da doença, com sucesso associado à adherência a longo prazo (Drechsler et al., 2024).

O artigo destaca também o papel dos ácidos gordos essenciais, probióticos, vitamina D e terapias emergentes, reconhecendo que, apesar dos avanços, a DAC permanece incurável e crónica, exigindo gestão contínua e adaptações terapêuticas ao longo da vida do paciente.

Referências:
- Drechsler Y, D**g C, Clark DE, Kaur G. Canine Atopic Dermatitis: Prevalence, Impact, and Management Strategies. Vet Med (Auckl). 2024 Feb 13;15:15–29. doi: 10.2147/VMRR.S412570. [PMC10874193]
- Hillier A, Griffin CE. The ACVD task force on canine atopic dermatitis (I): incidence and prevalence. Vet Immunol Immunopathol. 2001;81(3–4):147–151.
- Favrot C, Steffan J, Seewald W, Picco F. A prospective study on chronic canine atopic dermatitis. Vet Dermatol. 2010;21(1):23–31.
- Harvey ND, Shaw SC, Craigon PJ, Blott SC, England GC. Environmental risk factors for canine atopic dermatitis. Vet Dermatol. 2019;30(5):396–e119.
- Marsella R. Advances in our understanding of canine atopic dermatitis. Vet Dermatol. 2021;32(6):547–e151.
- Outerbridge CA, Jordan TJ. Current knowledge on canine atopic dermatitis: pathogenesis and treatment. Adv Small Anim. 2021;2:101–115.

Este resumo mantém o rigor científico do artigo original, abordando a epidemiologia, impacto clínico, imunopatologia e opções de tratamento da DAC.

Saudações para todos!
PS

As unhas de alguns cães mantêm-se saudáveis se forem exercitados regularmente em superfícies mais ásperas, como o ciment...
29/04/2025

As unhas de alguns cães mantêm-se saudáveis se forem exercitados regularmente em superfícies mais ásperas, como o cimento ou o pavimento de asfalto.

19/04/2025

Boa páscoa para todos os utentes, amigos, de variadas patas!

07/03/2025

Poema de um cão

Espero-te sempre,
na curva das horas, no eco da rua,
onde teus passos desenham o destino.

O som do teu carro atravessa a distância,
como um assobio secreto que só eu reconheço,
um murmúrio entre mil, gravado em minha alma canina.

A tua voz, estrela líquida,
derrama-se sobre mim como melodia antiga,
e o teu cheiro – meu céu, minha terra –
é para mim o perfume da eternidade.

Quando te ris, o meu pelo dança como seara de trigo ao vento,
E se partes, a casa dissolve-se em sombras,
o tempo torna-se uma espera infinita...

Mas eu sou leal como a onda ao oceano,
como a raiz à terra molhada.
Estarei aqui, agora e sempre,
nesta vida e em todas as outras,
à tua espera
pois sou teu cão,
e tu és o meu mundo.
PSM

Endereço

Rua Firmino Rebelo, 16-c
Porto Salvo
2740-062

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