24/05/2018
Falar do Lápis e do Lapso, é falar do Check-in de acesso à minha carreira profissional.
Foi no final do 1º ano de curso que tivemos a notícia da entrada de dois poldros para desbaste, provenientes da Coudelaria da Companhia das Lezírias, com três anos acabados de fazer e de pelagem lazã e ruço mosqueado.
Filhos de um cavalo anglo árabe de nome Peter Pan, os dois anglo-luso-árabes foram recebidos com muito entusiasmo pois os corcéis que montávamos eram de fraca figura e com mazelas até no psicológico.
Foram de imediato distribuídos pelos grupos de externos e internos, no sentido de serem desbastados como apoio à formação e aumentar e melhorar o efectivo cavalar da Escola.
Entre coices, quedas (e ainda rodeos no picadeiro fechado e corridas à carga nas estradas da lezíria…) o Lápis e o Lapso foram evoluindo como cavalos, a par da nossa evolução como cavaleiros e profissionais da área. Eram de carácter fácil, cómodos de montar, mas com bastante personalidade!
Ambos prestaram provas a nível nacional e internacional em diferentes modalidades e levaram às costas largas dezenas de alunos que, com a sua docilidade, transmitiam confiança a quem os montava nos mais diversos exercícios do decorrer das aulas.
Só no dia em que os “perdi” é que efectivamente reparei que, em silêncio foram meus companheiros duma vida, dia após dia, num percurso de formação escolar desde alguns anos antes do fim do século passado.
Aos que os conheceram, reconhecem naturalmente as minhas breves palavras. Aos que não tiveram esse privilégio, posso assegurar que cumpriram escrupulosamente a sua missão como cavalos, como formadores e como Companheiros…
O meu bem haja ao Lápis e ao Lapso, bem como à simpática e merecida Homenagem que a Maria lhes proporcionou.
Até Sempre!
Raul da Luz