14/03/2021
CUIDADO com os CURIOSOS que se dizem Treinadores de Cães.
Este é um assunto sensível e que temos evitado tocar nele, mas com algumas situações que nos temos deparado, achamos ter o dever ético de alertar.
Os casos mais complexos e que por norma levam a erros técnicos graves de intervenção e que podem piorar o comportamento do cão, são os casos de agressividade e sobre os quais temos assistido a uma grande falta de competência para neles intervir, assim como a tendência de utilizar o mau-trato disfarçado de “treino”.
Os casos de agressividade são muito complexos e exigem um estudo aprofundado, quer sobre o tema em si, quer sobre muitos outros factores, para melhor compreendermos o comportamento e encontrar a melhor forma de intervir - que NUNCA passará pela utilização de métodos coercivos e subjugatórios - fazer isto poderá piorar em muito o comportamento, assim como aumentar o grau de imprevisibilidade e/ou generalização do comportamento.
O que deve procurar num Treinador de Cães?
Em primeiro lugar, perceber onde fez a sua Formação e que tipo de formação foi esta. Foi uma Formação online, de fim-de-semana? Ou mais prolongada e consistente? Baseia-se em métodos atuais e científicos sobre aprendizagem, cognição e comunicação canina? Ou baseia-se em “30 anos de experiência com cães”, só? Atualizou os seus conhecimentos práticos ou simplesmente continua a utilizar métodos tradicionais que “desde sempre se usaram”? Tem um método organizado e próprio ou viu umas séries televisivas e imita os métodos lá apresentados? Utiliza uma linguagem clara ou fala em forma de metáforas e “teorias da dominância”, “lider”, “ser o alfa” e que “temos de mostrar quem manda”.
A Formação não é tudo, mas é uma importante parte; porque revela uma preocupação da pessoa em se manter atual e com competências para o poder ajudar verdadeiramente. Além de que, qualquer profissão que seja encarada de forma séria e íntegra leva à procura de melhores competências para melhor exercer e isso só se consegue com Formação.
Os anos de experiência apesar de poderem aparentar ser importantes, acabam por não o ser se esta pessoa não tiver atualizado os seus conhecimentos e forma de trabalhar. O mundo da aprendizagem canina é extremamente complexo e o que era facto há 10 anos atrás, hoje está ultrapassado. E fazer 20 anos a mesma coisa mal, não a torna correta.
Cuidado também quando estas pessoas afirmam ser "Treinadores Certificados". Em Portugal isto não é possível; não existe certificação para esta profissão e não é reconhecida pelo Instituto de Emprego. Se afirmarem ser certificados, fique na dúvida, porque não estão a ser verdadeiros. A profissão em si nem sequer é regulamentada e não existe nenhuma entidade que a credencie, fiscalize ou sequer dê suporte aos seus profissionais.
Outra coisa que devem ter em atenção é a Filosofia de trabalho; e devemos estar atentos se esta Filosofia é coerente. Ou seja, se temos alguém a intitular-se "Treinador Positivo", devemos averiguar se esta é uma afirmação real, ou se é só com o intuito de "vender" e chamar pessoas, uma vez que este se tornou um termo demasiadamente banal e como cada vez mais pessoas se preocupam com o bem-estar do seu cão, é uma forma de captar o cliente, mas depois na prática, não é o que acontece.
Deve evitar pessoas que ainda usam coleiras estranguladoras, de choques ou de picos, assim como os que usam da força física para interagir, corrigir ou subjugar o seu cão (não falando de situações de auto-defesa, claro).
Além disso, uma outra coisa importante é a forma como este treinador trabalha e se relaciona consigo. Cuidado então com aqueles que realmente até usam reforço positivo mas que o fazem sentir um péssimo dono/pessoa, porque direta ou indiretamente o culpabilizam pelos problemas que ele apresenta. Ter um cão nem sempre é fácil e todos nós merecemos ser apoiados e respeitados. Exija respeito. Respeito pelo seu cão e por si. A responsabilidade existe sempre, mas a culpabilização não é a melhor forma de motivar uma pessoa a mudar.
Mais importante que a constante presença e investimento nas redes sociais é alguma consistência na mensagem passada, assim como as próprias críticas dos clientes nas páginas - é outra forma de procurar algumas referências pelo trabalho, embora sempre sujeito a alguma subjetividade.
Depois temos a própria disponibilidade em atender (e não vender). Uma preocupação genuína e sincera pelo bem-estar do cão, pelas dificuldades sentidas e na procura conjunta de soluções, assim como num suporte consistente durante o processo de treino.
Outro pormenor que pode ser importante é até que ponto de um ponto de vista fiscal, a pessoa leva a profissão a sério e contribui para os cofres dos Estado - tem atividade aberta na área? Tem empresa, passa recibos ou faz tudo “por fora”? Nesse caso será mais um passatempo do que uma profissão a sério, com todas as implicações que isto tenha. Não queremos com isto dizer que seja um fator eliminatório e que anule por completo as competências da pessoa em questão, mas juntando a todos os outros pontos, será mais uma ajuda na decisão.
Este é o alerta que deixamos. Não somos melhores que ninguém, mas levamos o nosso trabalho e profissão muito a sério e temos feito um esforço para investir na nossa formação, assim como no estudo diário de como ajudar cada vez mais e melhor quem nos procura. Temos uma ética de trabalho e exigimos que se proteja uma profissão com cada vez mais importância na nossa sociedade.
Obrigada
Eneida, ConectaCão