02/07/2026
Quanto mais um cão sente que o mundo é imprevisível, mais necessidade tem de se proteger.
É por isso que um cão reativo não precisa de passar todos os dias a enfrentar aquilo que mais medo, insegurança ou frustração lhe provoca. Precisa, primeiro de acumular experiências em que se sente seguro.
Quando um cão vive constantemente acima do seu limiar emocional, o cérebro entra em modo de sobrevivência. Nessa fase, a a capacidade para aprender diminui, enquanto a probabilidade de reagir aumenta. Por isso, a maior parte dos passeios deve acontecer em contextos onde o cão consegue explorar, cheirar, observar, descansar e fazer escolhas sem estar permanentemente em alerta. É nesses momentos que o sistema nervoso recupera, é aí que a confiança começa a ser construída!
Só depois faz sentido introduzir desafios, de forma gradual e ajustada ao cão que temos à nossa frente. Acelerar este processo raramente faz o cão evoluir mais depressa. Na maioria das vezes, cria um retrocesso, reforçando a ideia de que o mundo continua a ser um lugar inseguro.
Quando os desafios aparecem, o objetivo não deve ser que o cão “aguente”. Deve ser ajudá-lo a recorrer às suas estratégias naturais de coping: aumentar a distância, cheirar o chão, observar antes de agir, explorar o ambiente ou escolher um percurso diferente.
A verdadeira reabilitação não acontece quando um cão deixa de reagir, acontece quando deixa de sentir que precisa de reagir.
Se sentes que o teu cão vive em constante estado de alerta e não sabes como o ajudar a recuperar confiança, envia-me mensagem. Juntos podemos construir um plano adaptado ao vosso caso, respeitando o ritmo do teu cão e aquilo que ele realmente precisa para evoluir 🫶