24/06/2026
A frase “Não compre, adote” pode partir de uma boa intenção, mas simplifica demasiado um problema que é muito mais profundo.
O problema nunca foi comprar.
O problema é abandonar, negligenciar, reproduzir sem conhecimento, sem critérios e sem responsabilidade.
Um animal não é mais feliz por ter sido comprado ou adotado.
É mais feliz quando quem o tem respeita as suas necessidades, lhe proporciona cuidados de saúde, alimentação adequada, socialização, estabilidade e amor durante toda a vida.
A adoção é uma excelente opção.
A compra responsável também.
As duas podem coexistir.
O que não podemos fazer é demonizar quem escolhe adquirir um animal proveniente de um criador ético.
As raças existem por um motivo. Foram desenvolvidas ao longo de gerações para desempenhar funções específicas e preservar características físicas e comportamentais próprias. Preservar esse património exige conhecimento, estudo, seleção, te**es de saúde e muito trabalho.
E sim, trabalho.
Porque a criação responsável não vive apenas de amor aos animais.
Vive de dedicação diária, de investimento em bons progenitores, despistes de saúde, acompanhamento veterinário, instalações adequadas, alimentação de qualidade, vacinas, desparasitações e muitas horas de esforço que raramente são visíveis para quem vê apenas o preço final de um cachorro.
Depois estranhamos que existam fábricas de cachorros e criadores ilegais quando grande parte do mercado continua à procura do mais barato.
Se um cachorro custa uma fração do valor praticado por um criador responsável, a pergunta não deveria ser “que bom negócio fiz”.
A pergunta deveria ser: “onde foi poupado o dinheiro?”
No final, o verdadeiro debate não é comprar ou adotar.
É criar, vender, adquirir e cuidar de animais com responsabilidade.
Porque os animais não precisam de slogans.
Precisam de pessoas responsáveis.
- Glorious Spirit -
Ana Luisa Almeida & L Pedro