15/03/2026
EGLS Lonchura striata domestica
Lucas Mendes da Paz
Muitos desvalorizam esta espécie tanto a nível monetário como social, argumentando que é fácil de reproduzir e manter e também não tem valor monetário, pois bem eu respondo, o grau de dificuldade da reprodução e manutenção desta espécie não se compara ao de outras aves com exigências maiores em termos de reprodução e outras condições e não se trata de uma espécie "rara" ou que esteja em vias de extinção até porque para espanto de muitos é uma ave que foi desenvolvida em cativeiro por criadores ancestrais através do cruzamento entre uma espécie determinada Lonchura striata e outras indeterminadas espécies de Lonchura's, sendo como o próprio nome científico indica uma subespécie de Lonchura striata, mas ainda assim, sendo eu criador desta magnífica espécie, digo que é exigente criar bem esta espécie, e friso, criar bem e não ap***s criar, porque criar não engloba ap***s a reprodução e a manutenção, mas um conjunto de processos tais como, seleção coerente entre genótipo e fenótipo (normalmente as aves que apresentam um excelente genótipo, dificilmente apresentam um fenótipo não excelente, o contrário dificilmente se verifica, pois aves que não tenham um excelente genótipo, muito dificilmente apresentarão um excelente fenótipo), planificação criteriosa dos acasalamentos, controlo da consanguinidade, manutenção de registos genealógicos, avaliação contínua dos exemplares, seleção reprodutiva disciplinada, gestão nutricional adequada, controlo sanitário e otimização das condições ambientais e o último processo mas que é fundamental, o respeito pelo ciclo de vida da ave, algo a que alguns pseudo-criadores não dão importância, desculpando-se com a ideia seguinte "cada um cria como quer" e eu digo "não, cada um deve criar respeitando o ciclo de vida da ave".
Eu, ainda que aparentemente sozinho ou pouco acompanhado estou a promover a valorização do Bengalim do Japão, tanto a nível social como monetário e como criador, o que digo é que, é exigente criar bem esta espécie, mas se não fosse exigente o caminho que estou a trilhar com esta espécie não era para mim, pois a exigência máxima e fazer o máximo são favoráveis ao sucesso, algo que procuro sempre em tudo o que faço, agora, quem se limita a ap***s criar esta espécie, mais vale nem sequer criar, porque só está a contribuir para a desvalorizar ainda mais, desrespeitando severamente a espécie e digo isto a alguns que preferem criar "ratinhos" ou "galinhas" em vez de verdadeiros Bengalins, no primeiro caso, os "ratinhos" são pseudo-bengalins criados por pseudo-criadores que cometem o erro de fazer prevalecer a quantidade sobre a qualidade, no segundo caso, as "galinhas" são pseudo-bengalins criados por pseudo-criadores que cometem o erro de fazer prevalecer o parâmetro de avaliação porte, sobre outros critérios de avaliação que são muito mais importantes num Bengalim a sério, tais como a intesidade de cor o desenho e os diferentes padrões. Eu já disse numa publicação anterior e volto a dizer, o Bengalim não é uma ave de porte. Por isso dou um conselho a alguns ou a muitos, se é para começar a criar Bengalins então criem a sério, peçam conselhos a verdadeiros criadores da espécie e refiro-me aos mestres dos Bengalins, criadores experientes com os quais eu tive o privilégio de poder contar, representando o papel de verdadeiros mentores e não sucumbir no erro de pedir conselhos a pseudo-criadores ou a criadores de outras espécies, que em nada vão ajudar, só vão piorar e ainda por cima tentar prejudicar, em alguns casos. Em Portugal ainda se verifica muito isto "cada um por si" e "orgulhosamente sós" que em nada se contribui para o sucesso do próximo, em criar condições para que isso aconteça e é por isso que os países europeus mais desenvolvidos continuarão sempre à frente de Portugal em todos os aspetos, pois aqui predomina a entreajuda, as pessoas ajudam-se e complementam-se umas às outras, um exemplo evidente disso incide no facto de num país de dimensões reduzidas à escala europeia existirem duas federações ornitológicas, ao mínimo desentendimento ocorre logo uma fratura, em vez de se criar uma zona/plataforma de entendimento.
A espécie Lonchura striata domestica, vulgarmente designada por Bengalim do Japão, ocupa um lugar singular no universo da ornitologia de criação. Apesar de ser frequentemente desvalorizada tanto do ponto de vista monetário como social, sobretudo por aqueles que sustentam o argumento de que se trata de uma ave relativamente fácil de reproduzir e de manter, tal perspectiva revela, na realidade, uma compreensão superficial e incompleta das verdadeiras exigências inerentes à criação séria e tecnicamente fundamentada desta espécie. Importa, desde logo, estabelecer uma distinção conceptual essencial entre o simples ato de reproduzir aves e o processo muito mais complexo, rigoroso e intelectualmente exigente que constitui a verdadeira criação seletiva.
A reprodução, entendida na sua forma mais elementar, corresponde ap***s à obtenção de descendência. Criar, porém, num sentido pleno e rigoroso, implica um conjunto articulado de procedimentos técnicos, científicos e éticos que visam a melhoria progressiva da qualidade da população criada. Neste contexto, a criação responsável do Bengalim do Japão exige um profundo conhecimento dos mecanismos de seleção genotípica e fenotípica, da interpretação correta da relação entre genótipo e fenótipo, bem como da aplicação consistente de critérios morfológicos e cromáticos bem definidos.
Com efeito, a coerência entre genótipo e fenótipo constitui um dos pilares fundamentais de qualquer programa de criação sério. De modo geral, indivíduos portadores de um genótipo de elevada qualidade tendem a manifestar um fenótipo igualmente superior, refletindo de forma consistente o potencial genético que possuem. A situação inversa raramente se verifica: aves que não possuam uma base genética sólida dificilmente conseguirão apresentar, de forma estável, características fenotípicas de excelência. Assim, a observação atenta das características visíveis da ave deve sempre ser acompanhada por uma compreensão profunda da sua origem genética e da sua linhagem, evitando interpretações simplistas baseadas exclusivamente na aparência momentânea.
Todavia, o processo de criação de qualidade não se limita à seleção genotípica e fenotípica. Pelo contrário, envolve um conjunto vasto de procedimentos complementares, entre os quais se destacam: a planificação criteriosa dos acasalamentos, com base na análise das linhagens e na previsão dos resultados genéticos, o controlo rigoroso da consanguinidade, evitando tanto o empobrecimento genético como a perda de características desejáveis, a manutenção de registos genealógicos detalhados, permitindo acompanhar a evolução das linhagens ao longo das gerações, a avaliação contínua das características morfológicas, cromáticas e comportamentais dos exemplares, a gestão nutricional adequada às diferentes fases do ciclo de vida biológico, e, ainda, a implementação de condições ambientais que favoreçam o bem-estar e o desenvolvimento fisiológico pleno das aves.
Acresce a estes fatores a necessidade de uma seleção extremamente criteriosa dos indivíduos que devem integrar os programas de reprodução. Tal implica a eliminação reprodutiva de exemplares que, embora possam apresentar uma aparência aceitável à primeira vista, revelem fragilidades genéticas, inconsistências cromáticas ou desvios morfológicos relativamente ao padrão desejado. Esta disciplina seletiva é muitas vezes negligenciada por criadores menos rigorosos, que privilegiam a quantidade de exemplares produzidos em detrimento da qualidade global da população criada.
É precisamente neste ponto que se observa uma das principais causas da desvalorização do Bengalim do Japão. Uma parte considerável dos indivíduos disponíveis no mercado nacional resulta de práticas de criação desprovidas de critérios seletivos exigentes. Surgem, assim, aquilo que metaforicamente se poderia designar por “pseudo-bengalins”, frequentemente referidos por mim e por outros criadores como “ratinhos” ou “galinhas”.
No primeiro caso, os denominados “ratinhos” correspondem a aves resultantes de programas de reprodução orientados quase exclusivamente para a produção massiva de exemplares, onde a quantidade prevalece claramente sobre a qualidade. A ausência de uma seleção rigorosa conduz inevitavelmente à degeneração progressiva das características morfológicas e cromáticas que definem um verdadeiro Bengalim.
No segundo caso, as denominadas “galinhas” resultam de uma abordagem igualmente distorcida, na qual se privilegia excessivamente o parâmetro do porte em detrimento de outros parâmetros de avaliação substancialmente mais relevantes. Convém sublinhar, de forma inequívoca, que o Bengalim do Japão não era, não foi, não é, nem nunca será, uma ave cuja avaliação se deva centrar primordialmente na dimensão corporal. Elementos como a intensidade e uniformidade da cor, a definição e regularidade do desenho, a qualidade dos diferentes padrões, bem como a harmonia global do fenótipo, constituem parâmetros de avaliação muito mais determinantes na apreciação de um exemplar de verdadeira qualidade.
Outra situação, algo que não é muito discutido, os critérios de julgamento do Bengalim do Japão deveriam ser alargados também ao genótipo, uma vez que, não há nenhum critério que avalie o genótipo de um Bengalim e uma ave completa é o resultado de uma coerência maior ou menor entre genótipo e fenótipo. No âmbito da apreciação técnica e da avaliação formal da espécie Lonchura striata domestica, subsiste uma questão de particular relevância que, paradoxalmente, permanece pouco debatida nos círculos ornitológicos especializados: a absoluta ausência de critérios de julgamento que contemplem, de forma explícita e sistematizada, a dimensão genotípica dos exemplares avaliados. Com efeito, os atuais sistemas de classificação e julgamento utilizados em exposições e concursos ornitológicos concentram-se predominantemente na observação e análise do fenótipo, isto é, no conjunto das características morfológicas, cromáticas e estruturais que se manifestam exteriormente no indivíduo. Embora tal abordagem possua uma utilidade evidente, uma vez que o fenótipo constitui a expressão visível e imediatamente observável do organismo, apresenta, todavia, limitações substanciais quando se pretende proceder a uma avaliação verdadeiramente completa e rigorosa da qualidade de um exemplar. O fenótipo, por si só, não representa a totalidade da realidade biológica da ave, mas antes a manifestação externa de um conjunto de interações complexas entre a informação genética herdada e os fatores ambientais que influenciam o desenvolvimento do indivíduo. Neste sentido, torna-se pertinente considerar que a avaliação exclusiva do fenótipo pode conduzir, em determinadas circunstâncias, a interpretações incompletas ou mesmo potencialmente equívocas relativamente ao verdadeiro valor genético de um exemplar. Uma ave que apresente um fenótipo aparentemente exemplar poderá, em alguns casos, possuir um genótipo menos consistente ou menos estável, circunstância que ap***s se tornará evidente nas gerações subsequentes, aquando da transmissão das suas características aos descendentes. Inversamente, podem existir exemplares cujo fenótipo não reflita de forma plenamente evidente a qualidade do seu património genético, mas que, enquanto reprodutores, revelem uma capacidade notável para transmitir características desejáveis de forma consistente. Deste modo, impõe-se a reflexão sobre a possibilidade de alargar os critérios de julgamento da espécie, de forma a integrar, ainda que de modo indireto ou inferencial, elementos que permitam avaliar também a dimensão genotípica dos exemplares. Tal não significaria substituir a avaliação fenotípica, que continuará inevitavelmente a desempenhar um papel central, mas complementá-la com instrumentos que permitam obter uma percepção mais abrangente e tecnicamente fundamentada da qualidade global da ave. A integração do genótipo como elemento relevante na avaliação do Bengalim do Japão pressupõe, naturalmente, a adoção de metodologias específicas. Entre estas poderiam incluir-se, por exemplo, a robustez geral, a forma da cabeça (quando robusta indica uma excelente genética), do dorso do bico, da cauda e a estabilidade comportamental. Tal abordagem permitiria reconhecer formalmente um princípio fundamental da biologia e da criação seletiva: o de que a qualidade de um indivíduo não pode ser plenamente compreendida ap***s através da sua aparência momentânea, mas deve ser analisada também à luz do seu potencial genético e da sua capacidade de transmitir características desejáveis à descendência. Em termos conceptuais, uma ave verdadeiramente completa resulta sempre de uma relação harmoniosa entre genótipo e fenótipo. O fenótipo representa a expressão visível dessa relação, mas é o genótipo que constitui o seu fundamento estrutural e hereditário. Ignorar a dimensão genotípica na avaliação de uma ave equivale, portanto, a considerar ap***s a superfície do fenómeno biológico, negligenciando a estrutura genética que lhe confere continuidade ao longo das gerações. Tal limitação torna-se particularmente evidente no contexto da criação seletiva, onde o objetivo último não é ap***s produzir indivíduos esteticamente apelativos, mas sim consolidar linhagens geneticamente estáveis, capazes de reproduzir de forma consistente determinadas características de excelência. No caso específico do Bengalim do Japão, esta questão assume uma importância acrescida, dado que muitas das características que definem a qualidade da espécie, nomeadamente a intensidade cromática, a nitidez dos desenhos, a regularidade dos padrões e a harmonia global da morfologia, dependem fortemente da estabilidade genética das linhagens. Uma avaliação que ignore este fator corre o risco de valorizar exemplares cuja qualidade seja ap***s circunstancial, em detrimento de aves que, embora eventualmente menos impressionantes numa observação isolada, possuam um potencial genético muito mais sólido. A reflexão sobre o alargamento dos critérios de julgamento à dimensão genotípica poderia, portanto, representar um passo significativo na evolução dos sistemas de avaliação aplicados a esta espécie. Tal evolução contribuiria não ap***s para uma apreciação mais rigorosa dos exemplares apresentados em exposições, mas também para incentivar práticas de criação mais responsáveis, orientadas para a consolidação genética das linhagens e para a melhoria sustentável da qualidade da população criada. Reconhecer a importância do genótipo no processo de avaliação do Bengalim do Japão corresponde a afirmar um princípio essencial da criação seletiva: a excelência fenotípica só adquire verdadeiro significado quando assenta numa base genética sólida e coerente. Uma ave verdadeiramente notável não é ap***s aquela que apresenta um aspeto exterior exemplar num determinado momento, mas aquela cuja aparência constitui a manifestação fiel de um património genético consistente, equilibrado e capaz de perpetuar, nas gerações futuras, as qualidades que a distinguem.
Neste contexto, torna-se evidente que a valorização desta espécie depende, em grande medida, da postura adotada pelos próprios criadores. Aqueles que se limitam a reproduzir aves indiscriminadamente, sem qualquer preocupação com critérios seletivos ou com a preservação da qualidade genética, acabam inevitavelmente por contribuir ainda mais para a desvalorização progressiva da espécie. Tal prática representa não ap***s uma abordagem tecnicamente deficiente, mas também uma forma de desrespeito para com uma ave cuja história e potencial genético merecem uma consideração muito mais elevada.
Pelo contrário, a criação séria do Bengalim do Japão exige dedicação, rigor metodológico e uma permanente procura pela excelência. Neste percurso, a orientação de criadores experientes verdadeiros mestres da espécie, assume um papel absolutamente fundamental. O conhecimento acumulado ao longo de décadas de experiência prática constitui um recurso inestimável, que dificilmente pode ser substituído por informação superficial ou por conselhos provenientes de indivíduos sem experiência sólida na criação específica desta espécie.
Infelizmente, em determinados contextos nacionais observa-se ainda uma cultura de isolamento entre criadores, frequentemente sintetizada nas expressões “cada um por si” ou “orgulhosamente sós”. Esta atitude, profundamente contraproducente, dificulta a circulação de conhecimento, limita a cooperação técnica e impede a criação de comunidades de criadores verdadeiramente sólidas e orientadas para a melhoria coletiva da qualidade das aves.
Em vários países europeus com tradição ornitológica mais consolidada, verifica-se precisamente o contrário: a partilha de informação, a colaboração entre criadores e a existência de estruturas organizativas coesas que contribuem decisivamente para o progresso técnico e para a valorização das espécies criadas. A cooperação permite a troca de linhagens de qualidade, a comparação de métodos de criação e a construção de padrões de excelência amplamente reconhecidos.
No caso português, a existência de múltiplas estruturas federativas no domínio da ornitologia, frequentemente resultantes de divergências institucionais, constitui um exemplo ilustrativo das dificuldades de articulação que persistem neste meio. Em vez de se privilegiar a criação de plataformas de entendimento e colaboração, pequenas divergências tendem por vezes a originar fraturas institucionais que enfraquecem o conjunto do movimento ornitológico.
Acresce a este panorama o facto de uma parte significativa dos intervenientes na ornitologia nacional não possuir formação técnica aprofundada na área da genética, da seleção animal ou da gestão de programas de criação. Muitos querem criar sem ter conhecimento para isso. Tal circunstância dificulta a implementação de práticas de criação cientificamente fundamentadas, favorecendo a perpetuação de métodos pouco rigorosos e, em alguns casos, claramente contraproducentes para a melhoria das espécies.
Perante este cenário, a valorização do Bengalim do Japão exige uma mudança de paradigma. É necessário promover uma cultura de criação baseada no conhecimento, na cooperação e na exigência técnica. A qualidade deve prevalecer sistematicamente sobre a quantidade, e cada decisão de reprodução deve ser tomada com base numa análise criteriosa das características genéticas e fenotípicas dos indivíduos envolvidos.
Para aqueles que verdadeiramente se dedicam a esta espécie, o caminho pode por vezes parecer solitário. Contudo, é precisamente através da persistência, da disciplina seletiva e da recusa em comprometer padrões de qualidade que se constrói, a longo prazo, a valorização de uma linhagem e, consequentemente, da própria espécie. A exigência máxima aplicada de forma consistente e consciente, constitui, afinal, um dos motores fundamentais do sucesso em qualquer área de atividade, e a ornitologia desportiva não constitui exceção.
Assim, longe de ser uma ave “fácil” ou desprovida de valor, o Bengalim do Japão revela-se, para o criador verdadeiramente dedicado, um campo de trabalho extremamente exigente e intelectualmente estimulante. Criar bem esta espécie implica muito mais do que permitir que as aves se reproduzam, significa compreender profundamente a sua genética e o seu fenótipo, respeitar a sua morfologia, aperfeiçoar continuamente os critérios de seleção e trabalhar, geração após geração, na construção de exemplares que representem verdadeiramente a excelência desta notável espécie.
Lucas Mendes da Paz, 15/03/2026