Projeto Lonchura's & Spermestes & Neochmia - Lucas Mendes da Paz

Projeto Lonchura's & Spermestes & Neochmia - Lucas Mendes da Paz Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Projeto Lonchura's & Spermestes & Neochmia - Lucas Mendes da Paz, Criador de animais de estimação, Rua 8 de Setembro nº1 Perrães, Oliveira do Bairro, Aveiro.

Centro de Criação de Estrildídeos do Género Taxonómico Lonchura & Spermestes & Neochmia
Criador e Colecionador de Estrildídeos do Género Taxonómico Lonchura & Spermestes & Neochmia

04/06/2026

Hoje foi dia de pinkies e as aves agradeceram e de que maneira!

EGLE Lonchura pectoralis

EGLE Lonchura nevermanni O primeiro da Época de Criação de 2026!🐦🪄💎
30/05/2026

EGLE Lonchura nevermanni

O primeiro da Época de Criação de 2026!🐦🪄💎

17/05/2026

Hoje foi dia de germinado e as aves agradeceram e de que maneira!

EGLE Lonchura stygia Fator Clássico - Mutação Dominante
EGLS Lonchura striata domestica Fator Clássico Moca Vermelho Castanho - Mutação Autossómica Recessiva

14/05/2026

Lucas Mendes da Paz

EGLE Lonchura Pectoralis - Lonchura griseicapilla - Lonchura nevermanni

Passados ap***s 5 dias do início da Época de Criação de Lonchura's 2026, tinham iniciado as posturas as fêmeas do Casal I de Lonchura pectoralis e do Casal I de Lonchura nevermanni, passados 7 dias ap***s do início da Época de Criação de Lonchura's 2026, tinha iniciado a postura a fêmea do Casal I de Lonchura griseicapilla, estando já os restantes casais de Lonchura's com o ninho completa ou parcialmente feito.

Isto para dizer que, quando se respeita o ciclo de vida das aves e se trata delas corretamente, elas retribuem e agradecem. Quem não faz isto até deveria ter vergonha de se autoproclamar criador... E é essa a diferença entre um verdadeiro criador e um pseudocriador.

Há muitos pseudocriadores que determinam a altura da época de criação em função da data das exposições, isso não é nada, porque não respeitam o ciclo de vida das aves que é o que tem de determinar a altura da época de criação. Muitos dir-me-ão que cada um cria como quer, e eu digo, não, é aí que está o erro, cada um deve criar em função do respeito pelo ciclo de vida das aves que cria e pelo bem-estar das referidas.

Aqui o que é prioritário não é a criação desenfreada para ceder aves ou para as apresentar em exposições, aqui o que é prioritário é o bem estar das aves, respeitando, acima de tudo, o seu ciclo de vida e a criação de um plantel homogéneo com heterogeneidade de caraterísticas.

Muitos consideram a ornitologia como um passatempo, essa ideia não poderia estar mais errada, sendo também por isso que a ornitologia está como está. Esses não dão tempo suficiente nem a dedicação nem o respeito necessários à ornitologia, estando ap***s presentes nela própria para satisfazer quaisquer interesses pessoais e não ap***s ou conveniências momentâneas "Hoje apetece-me criar pássaros, daqui há uns anos já não me apetece e deixo de criar", é este o pensamento desses. Não, a ornitologia é uma atividade que deve ser para a vida toda, não ap***s para suscitar satisfações momentâneas ou abstração do restante mundo. Para mim a ornitologia não é nenhum passatempo, está muito longe disso, aqui não há feriados nem fins de semana, todos os dias são dias de observação constante das aves aprendizagem e atenção, estou na ornitologia porque respeito as aves, o seu bem-estar e o seu ciclo de vida, não para satisfazer quaisquer interesses próprios. Trata-se de compromisso, responsabilidade e verdadeira paixão pela natureza, pela conservação e preservação de espécies avícolas. A verdadeira essência da ornitologia vai muito para além da simples observação ou criação de aves. Exige conhecimento, paciência e, acima de tudo, consciência de que cada ação humana tem impacto direto na vida destes animais. Quem vive a ornitologia de forma séria compreende a importância da preservação das espécies e do equilíbrio natural que deve ser respeitado em todas as circunstâncias. Não se trata ap***s de admirar aves, mas de entender o valor que elas têm na natureza e a responsabilidade que existe em protegê-las com seriedade e dedicação contínua.

Continuo a dizer, as exposições e as medalhas não dizem nada acerca de um criador, vale o que vale sobretudo se ganharem tudo aqui em Portugal nas microexposições, como fazem alguns, sem concorrência à altura - dos melhores, e depois nas macroexposições, nos países dos melhores com concorrência à altura e dos melhores nem tocam nos prémios... O que diz tudo acerca de um criador é o plantel que tem e um bom criador prioriza sempre plantéis homogéneos com heterogeneidade de características e não o contrário.

Um dos principais princípios do sucesso é este, o difícil não é chegar ao sucesso, o difícil é manter-se no sucesso.

Agradeço ao meu amigo Fernando Domingues - Estrildidae by Fernando Domingues que tem sido um verdadeiro mentor no meu programa de criação de Lonchura's e não ap***s. Agradeço mesmo profundamente, o sucesso ainda recente que tenho tido também se deve ao facto de existir esta cooperação, porque tenho noção que sozinho e com a geriátrica teoria do "orgulhosamente sós" não se chega a lado nenhum...

Agradeço ao meu amigo Bernardo Agostinho - Bengalins de Exposição, Cardeais e Azulões com quem partilho de um intercâmbio mútuo de conhecimento. O meu sucesso ainda recente também tem o seu contributo. Agradeço também profundamente.

Projeto Lonchura's & Spermestes & Neochmia - Lucas Mendes da Paz, 14/05/2026

"Criar é mesmo preservar"Depois deste comentário não resisto a uma intervenção por escrito..."As aves vieram ao mundo co...
10/05/2026

"Criar é mesmo preservar"

Depois deste comentário não resisto a uma intervenção por escrito...

"As aves vieram ao mundo com uma anatomia... asas e p***s para voar, migrar e se reproduzir livremente na natureza, em seu próprio ritmo e de acordo com sua própria vontade, não para serem confinadas e criadas à força em cativeiro... de acordo com os desejos de indivíduos imbecis, estúpidos e covardes com baixo QI... - Qualquer pessoa que coloque pássaros em gaiolas deve ter um transtorno mental muito sério - pássaros engaiolados não cantam... eles choramingam..."

Pretendendo eu enveredar por uma carreira académica relacionada com as Ciências Veterinárias, a mim não permito que me deem este tipo de lições...

Quando por atividades e atitudes propositadamente reiteradas do Homem as aves perdem habitat ou sofrem lesões ou consequências graves, etc necessitam de ser reabilitadas e tratadas em cativeiro para depois serem novamente libertadas e uma correta reabilitação é essencial porque sem ela as aves não sobreviveriam...

No meu caso não tenho aves que estejam em vias de extinção, tenho aves mais difíceis de criar e manter, várias espécies de Lonchura's e outras, uma subespécie de Lonchura's, Lonchura striata domestica, que são relativamente simples de criar e manter, o genótipo e o fenótipo destas aves são exigentes, na medida em que, para trabalhar corretamente estas aves, é preciso muito conhecimento, tanto de genótipo como de fenótipo específicos da subespécie. No caso as espécies de Lonchura's não se aplica o que vou dizer, mas no caso da subespécie Lonchura striata domestica é uma ave desenvolvida em cativeiro a partir da seleção artificial natural de espécies de Lonchura's pré-existentes na Natureza.

Este comentário parte de uma visão emocional e absolutista sobre a relação entre o Homem e as aves, tentando transformar uma questão extremamente complexa num raciocínio simplificado dividido entre “liberdade” e “prisão”. Embora seja compreensível a preocupação relativamente ao sofrimento animal, ao tráfico ilegal de aves e à captura irresponsável de espécies selvagens, que eu também tenho, mas como criador responsável e não pseudocriador tenho um profundo respeito pelas aves que crio, uma vez que as coleciono e preservo respeitando sempre o seu ciclo de vida e o bem-estar das aves não tendo nenhuns interesses para além de Preservação e Coleção. A forma como este comentário foi construído revela uma análise superficial, repleta de insultos, generalizações e desconhecimento profundo sobre biologia, domesticação, genética e criação responsável. E precisamente, por isso, a mim não me dão lições de preservação, de coleção, de criação, de naturalismo, de liberdade ou de moral.

É precisamente por isso que a frase “criar é mesmo preservar” não pode ser interpretada de forma simplista, mas também não pode ser descartada de forma ignorante. Dependendo do contexto, criar pode efetivamente representar preservação - genética, biológica, comportamental e até histórica, sobretudo quando falamos de aves desenvolvidas ao longo de gerações em ambiente humano e cuja realidade já não corresponde integralmente à de populações selvagens.

Existe uma diferença fundamental entre capturar aves diretamente da natureza para satisfazer caprichos humanos e trabalhar com linhagens estabilizadas em cativeiro há várias gerações. Misturar ambas as realidades no mesmo discurso é biologicamente incorreto e intelectualmente desonesto. Nem todas as aves mantidas por criadores responsáveis pertencem ao universo do tráfico, da crueldade ou do confinamento irracional que muitas pessoas imaginam.

Quando alguém afirma que “qualquer pessoa que coloque pássaros em gaiolas deve ter um transtorno mental muito sério”, deixa imediatamente de existir uma discussão racional. Passa a existir ap***s agressividade emocional e ignorância disfarçada de moralidade. Uma pessoa que verdadeiramente compreende conservação, reabilitação animal, domesticação e genética sabe que a realidade não funciona em absolutos tão infantis.

O próprio comentário acaba, ironicamente, por reconhecer uma verdade essencial quando admite que aves feridas, debilitadas ou afetadas pela destruição provocada pelo Homem necessitam de reabilitação em cativeiro para sobreviver. Ora, isso demonstra precisamente que o cativeiro, por si só, não é automaticamente crueldade. Tudo depende do contexto, da finalidade e da forma como os animais são mantidos.

Uma ave selvagem resgatada após sofrer lesões graves dificilmente sobreviveria sem intervenção humana. Precisa de cuidados veterinários, alimentação adequada, ambiente protegido e reabilitação controlada até recuperar capacidades suficientes para regressar à natureza. Nesses casos, o cativeiro torna-se um instrumento de recuperação e sobrevivência. Portanto, afirmar de forma absoluta que qualquer manutenção de aves em ambiente controlado é necessariamente errada contradiz a própria realidade prática da conservação animal.

No entanto, o ponto mais importante surge quando se fala da subespécie Lonchura striata domestica. Aqui entramos num domínio completamente diferente daquele imaginado por pessoas que analisam tudo ap***s através da emoção. Esta subespécie não corresponde simplesmente a uma ave selvagem retirada do habitat natural e colocada numa gaiola. Trata-se de uma ave desenvolvida em cativeiro através de processos de seleção artificial a partir de espécies de Lonchura existentes na natureza. Isto significa que houve, ao longo de gerações sucessivas, uma transformação progressiva tanto ao nível genético como comportamental. É uma ave com História e não ap***s por isso tão apreciada por mim...

A domesticação altera profundamente um animal. Não ap***s na aparência física, mas também na fisiologia, nos instintos, na resistência, no comportamento social, nos padrões reprodutivos e na adaptação ao meio. Uma ave domesticada durante inúmeras gerações já não possui exatamente os mesmos mecanismos de sobrevivência de uma ave selvagem. Muitos indivíduos tornam-se dependentes de condições controladas porque foram selecionados precisamente nesse contexto.

É por isso que grande parte das pessoas que romantiza a ideia de “libertar todas as aves” ignora uma realidade biológica básica: muitas aves domesticadas simplesmente não sobreviveriam na natureza. A ausência de adaptação ao ambiente selvagem transformaria essa suposta “libertação” numa morte lenta provocada por fome, predadores, doenças ou incapacidade de integração ecológica e numa quebra dos ecossistemas locais, uma vez que são aves exóticas que competiriam em várias vertentes ativamente com as espécies nativas.

Além disso, trabalhar corretamente determinadas espécies e subespécies exige um nível de conhecimento que a maioria das pessoas desconhece completamente. No caso das Lonchura's, especialmente variedades mais sensíveis, não basta juntar aves aleatoriamente para reproduzir. Existe um trabalho rigoroso relacionado com genética, seleção fenotípica, estabilidade comportamental, vigor biológico, compatibilidades sanguíneas, prevenção de degeneração genética e manutenção de características específicas da linhagem.

O equilíbrio entre genótipo e fenótipo é extremamente importante. Um criador sério não trabalha ap***s estética visual, trabalha saúde, estabilidade e continuidade genética. Isso exige anos de experiência, observação constante e conhecimento técnico aprofundado. Muitas vezes, quem critica de forma agressiva desconhece completamente conceitos básicos de hereditariedade, fatores, mutações, seleção artificial ou manutenção de linhagens.

Também existe uma enorme diferença entre manter aves em condições inadequadas e proporcionar ambientes controlados com higiene, alimentação correta, enriquecimento ambiental, estabilidade social e acompanhamento sanitário. O problema nunca é simplesmente a existência de cativeiro, o problema são as condições e a responsabilidade com que ele é conduzido.

Aliás, é curioso observar como muitos indivíduos condenam ferozmente criadores responsáveis enquanto ignoram destruições ambientais massivas provocadas diariamente pela própria sociedade humana: urbanização descontrolada, pesticidas, incêndios, poluição, destruição de florestas e fragmentação de habitats. Essas ações causam impactos infinitamente mais devastadores nas populações selvagens do que muitos criadores que dedicam anos ao estudo e manutenção responsável de determinadas aves.

Existe ainda uma componente profundamente contraditória neste tipo de discurso extremista: a romantização absoluta da natureza sem compreensão das suas dinâmicas reais. A natureza não é um paraíso perfeito. É um sistema extremamente duro, onde fome, doenças, predadores, parasitas e mortalidade elevada fazem parte do funcionamento normal dos ecossistemas. Sobreviver em liberdade não significa automaticamente viver melhor.

Isso não significa defender aprisionamento irresponsável ou exploração animal. Significa ap***s reconhecer que a realidade biológica é muito mais complexa do que slogans emocionais. Entre a crueldade negligente e a criação responsável existe um enorme espaço de diferença ética, técnica e científica.

No fundo, aquilo que verdadeiramente distingue um criador consciente não é o simples facto de manter aves em ambiente controlado, mas sim a forma como compreende e respeita as necessidades biológicas desses animais. Quem trabalha seriamente determinadas espécies desenvolve frequentemente um conhecimento muito mais profundo sobre comportamento, reprodução, alimentação e saúde das aves do que muitos indivíduos que ap***s repetem frases emocionalmente apelativas nas redes sociais.

Por isso, reduzir toda a criação de aves à ideia de “prisão” revela desconhecimento sobre domesticação, genética, conservação e evolução da relação entre Homem e animal. Algumas aves pertencem efetivamente à natureza selvagem e nunca deveriam ser retiradas dela. Mas outras existem hoje precisamente porque foram mantidas, selecionadas e preservadas ao longo de gerações em ambiente humano.

A realidade não se divide entre “liberdade absoluta” e “crueldade absoluta”. A realidade exige conhecimento, responsabilidade, equilíbrio e honestidade intelectual.

Projeto Lonchura's - Lucas Mendes da Paz, 10/05/2026

06/05/2026

Apresento alguns dos Casais Reprodutores (Lonchura's) da Época de Criação 2026

Lonchura pectoralis
Lonchura griseicapilla
Lonchura stygia
Lonchura nevermanni

Lonchura striata domestica

Aqui não se cria para exposições... Aqui, isso é secundário, as Épocas de Criação não são concordantes nem em função das exposições, são concordantes e em função do ciclo de vida das espécies que aqui se reproduzem. Aqui criar é mesmo preservar e não ap***s uma expressão que agora todos utilizam, mas poucos respeitam o ciclo de vida das espécies que reproduzem. Aqui cria-se com duas prioridades criar um plantel sólido homogéneo com heterogeneidade de características e respeitar o ciclo de vida das aves que aqui se reproduzem. As exposições e os prémios não dizem nada acerca de um criador, mas o plantel de aves que tem, isso sim diz tudo.

F**a a reflexão...

Projeto Lonchura's - Lucas Mendes da Paz, 06/05/2026

Marco I - M SeguidoresReflexãoUltrapassar este Marco I - M Seguidores não é ap***s um indicador de crescimento, é, sobre...
03/05/2026

Marco I - M Seguidores

Reflexão

Ultrapassar este Marco I - M Seguidores não é ap***s um indicador de crescimento, é, sobretudo, um ponto de reflexão.

Hoje é um dia especial que merece ser partilhado com cada seguidor desta página virtual dedicada ao meu projeto ornitológico de longo prazo de criação, coleção e desenvolvimento de estrildídeos do género taxonómico Lonchura e posso dizer que já ultrapassou os mil seguidores, e como tal ultrapassou também o Marco I - M seguidores. Um número que, mais do que estatística, representa pessoas que valorizam, acompanham e partilham esta paixão pela ornitologia desportiva, em especial pela criação de Lonchuras.

Atingi este Marco I - M Seguidores em ap***s 2 anos e alguns meses, a altura em que comecei com este Projeto foi em 2023, o que demonstra que o meu trabalho tem sido bem aceite pela comunidade ornitológica, apesar de, como é óbvio, para mim, o meu trabalho não depender de validação externa. Nunca promovi publicações e nunca paguei para divulgar a página. Foi tudo feito de forma natural e sem pressa.

Quero deixar-lhe um especial agradecimento a si, que comenta, que envia mensagens, que aprende comigo e também a quem me ensina, porque esta parte é muito importante porque quem já sabe "tudo", já não aprende nada e o pior é que não permite que nada lhe seja ensinado, eu pessoalmente gosto de aprender e opto por continuar a aprender, acrescentando sempre alguma coisa àquilo que já sei.

Não publico conteúdo diariamente, porque considero que não há necessidade de o fazer, publico quando entendo que devo publicar e publico o que entendo que devo publicar.

Na ornitologia desportiva, e em particular na criação de Lonchura's, os números só têm verdadeiro valor quando estão associados a consistência, método e evolução técnica. Cada seguidor representa alguém interessado em aprender, partilhar ou simplesmente acompanhar um trabalho que exige observação rigorosa, seleção criteriosa e um compromisso contínuo com o bem-estar das aves.

Este marco reforça a responsabilidade de manter uma abordagem séria e fundamentada: desde o controlo reprodutivo à gestão de linhagens, passando pela nutrição, sanidade e adaptação às condições de cativeiro.

Mais do que mostrar resultados, importa explicar processos, documentar decisões e contribuir para uma comunidade mais informada e exigente, porque o "orgulhosamente sós" nunca funcionava, nunca funcionou, nunca funciona e nunca funcionará, precisamente porque se baseia na cultura do individualismo e isso é profundamente errado e antagónico ao sucesso.

Este projeto começou com dedicação e gosto pelas aves, e cresce todos os dias devido ao seu apoio.

Continuarei a trabalhar com seriedade, partilhando conhecimento, experiências e a evolução das minhas criações, sempre com respeito pelas aves e pela criação.

Volto a insistir nisto, algo que muitos ainda não perceberam. Este é ap***s o primeiro de muitos marcos, mas para mim, este marco continua a ser ap***s um número, porque o que interessa é o trabalho desenvolvido e a homogeneidade do plantel avícola com heterogeneidade de características e isso não se vê em números nem em exposições, nem em medalhas, isso vale o que vale e não diz nada acerca de um criador. E por isso mesmo, precisamente por muitos não entenderem isto, dificilmente voltarei a expor aves em Portugal e Espanha, com algumas exceções. Certamente irei expor nos contextos mais competitivos da ornitologia mundial, nos países onde estão os melhores criadores mundiais das espécies e subespécies a que eu me dedico e lá sim, ser premiado diz alguma coisa, a competitividade, a exigência... Lá, os juízes não sobrevalorizam determinados parâmetros de avaliação em relação a outros, valem todos o mesmo, com pontuação diferente claro. Lá, é impensável ganharem aves que nem sequer têm qualidade para serem expostas, mas em Portugal e Espanha isso acontece e é precisamente por isso que continuam a ser dois países "pequeninos" na ornitologia mundial. Lá, só estão no pódio aves com qualidade para tal. Estar entre os melhores como já estive neste último mundial na Bélgica, isso sim diz alguma coisa. É assim que eu gosto de competir ao nível dos melhores e com a competitividade e exigência ao máximo, pois é assim que se obtêm resultados excelentes. Neste Mundial da Bélgica, as minhas aves tiveram exatamente a mesma pontuação do que duas das três aves daquele que é um dos melhores criadores mundiais de Bengalins, o mestre Emiel Debrier e como tal, apesar de não ter conquistado lugares do pódio não poderia estar mais orgulhoso da prestação e da qualidade das minhas aves. Destaco também a competitividade nesta classe que contou com a presença de 15 criadores à exceção de mim, a maioria deles com mais do que uma ave. Quando uma ave que obtém 91 pontos não está no pódio e posiciona-se no 4º lugar, significa que a qualidade das aves do pódio é muito elevada e que a pontuação destas mesmas aves foi até 94 pontos, podendo chegar a 95 pontos como tem sido habitual e, portanto, estou satisfeito com a prestação das minhas aves. Sabendo eu que ainda não estou na minha máxima força em termos de plantel, relativamente à variabilidade genética e fenotípica.

Não contem comigo para levar aves a exposições a pedido ou só para satisfazer os interesses de alguns, tal como já me tentaram fazer anteriormente. As minhas aves não são nenhum produto comercial e merecem respeito tal como todas as outras e o que outros também deveriam fazer. E isto é inaceitável, e não vale a pena alguns encetarem lamentações, porque enquanto houver interesseiros e interessados, a cultura dos interesses nunca acaba.

Mais do que um crescimento numérico, este marco representa a consolidação de um espaço onde o conhecimento técnico, a observação sistemática e a experiência prática se cruzam diariamente. Na criação de Lonchura's, não existem resultados consistentes sem método. Cada acasalamento não é ap***s uma decisão estética ou intuitiva, mas sim o resultado de uma análise profunda: genótipo, fenótipo, comportamento, histórico reprodutivo, compreensão das bases genéticas envolvidas...

A evolução neste tipo de criação exige uma abordagem cumulativa. Aprende-se com cada postura, com cada falha de incubação, com cada exemplar que não atinge o padrão esperado. O erro, longe de ser um retrocesso, é uma ferramenta de afinação. Ajustam-se dietas, corrigem-se sistemas de manutenção, repensam-se estratégias de seleção. É neste ciclo contínuo de observação-análise-correção que se constrói consistência.

Por outro lado, este crescimento também reforça a responsabilidade associada à partilha pública. Num contexto onde a informação circula rapidamente, torna-se essencial distinguir prática fundamentada de tentativa empírica não validada. Falar de nutrição, por exemplo, não se resume a indicar misturas ou suplementos, mas sim a compreender necessidades específicas em diferentes fases: preparação para reprodução, época de criação, desmame, muda e manutenção. Da mesma forma, abordar reprodução implica considerar fatores tais como: a compatibilidade dos casais, a adequação e período reprodutivos, condições ambientais controladas e a gestão de stress.

Existe também uma dimensão frequentemente subvalorizada: a estabilidade das linhagens ao longo do tempo. Trabalhar Lonchura's com critério implica resistir à tentação de resultados imediatos em detrimento da consistência genética. Fixar características, evitar regressões e manter vigor são desafios que só se ultrapassam com registo, disciplina e visão a longo prazo.

Este marco dos 1000 seguidores é, portanto, mais do que um ponto de celebração, é um lembrete de compromisso. Compromisso com as aves, garantindo bem-estar e condições adequadas. Compromisso com a prática, mantendo rigor técnico e espírito crítico. E compromisso com a comunidade, promovendo uma cultura de partilha responsável, onde o objetivo não é ap***s mostrar resultados, mas contribuir para a evolução coletiva da criação em Portugal que muito tem a evoluir e que não evolui, entre outras situações, devido à cultura do "orgulhosamente sós" que persiste em eternizar-se.

Obrigado por fazer parte deste caminho.

Projeto Lonchura’s - Lucas Mendes da Paz, 03/05/2026

EGLS Lonchura striata domesticaLucas Mendes da PazMuitos desvalorizam esta espécie tanto a nível monetário como social, ...
15/03/2026

EGLS Lonchura striata domestica

Lucas Mendes da Paz

Muitos desvalorizam esta espécie tanto a nível monetário como social, argumentando que é fácil de reproduzir e manter e também não tem valor monetário, pois bem eu respondo, o grau de dificuldade da reprodução e manutenção desta espécie não se compara ao de outras aves com exigências maiores em termos de reprodução e outras condições e não se trata de uma espécie "rara" ou que esteja em vias de extinção até porque para espanto de muitos é uma ave que foi desenvolvida em cativeiro por criadores ancestrais através do cruzamento entre uma espécie determinada Lonchura striata e outras indeterminadas espécies de Lonchura's, sendo como o próprio nome científico indica uma subespécie de Lonchura striata, mas ainda assim, sendo eu criador desta magnífica espécie, digo que é exigente criar bem esta espécie, e friso, criar bem e não ap***s criar, porque criar não engloba ap***s a reprodução e a manutenção, mas um conjunto de processos tais como, seleção coerente entre genótipo e fenótipo (normalmente as aves que apresentam um excelente genótipo, dificilmente apresentam um fenótipo não excelente, o contrário dificilmente se verifica, pois aves que não tenham um excelente genótipo, muito dificilmente apresentarão um excelente fenótipo), planificação criteriosa dos acasalamentos, controlo da consanguinidade, manutenção de registos genealógicos, avaliação contínua dos exemplares, seleção reprodutiva disciplinada, gestão nutricional adequada, controlo sanitário e otimização das condições ambientais e o último processo mas que é fundamental, o respeito pelo ciclo de vida da ave, algo a que alguns pseudo-criadores não dão importância, desculpando-se com a ideia seguinte "cada um cria como quer" e eu digo "não, cada um deve criar respeitando o ciclo de vida da ave".

Eu, ainda que aparentemente sozinho ou pouco acompanhado estou a promover a valorização do Bengalim do Japão, tanto a nível social como monetário e como criador, o que digo é que, é exigente criar bem esta espécie, mas se não fosse exigente o caminho que estou a trilhar com esta espécie não era para mim, pois a exigência máxima e fazer o máximo são favoráveis ao sucesso, algo que procuro sempre em tudo o que faço, agora, quem se limita a ap***s criar esta espécie, mais vale nem sequer criar, porque só está a contribuir para a desvalorizar ainda mais, desrespeitando severamente a espécie e digo isto a alguns que preferem criar "ratinhos" ou "galinhas" em vez de verdadeiros Bengalins, no primeiro caso, os "ratinhos" são pseudo-bengalins criados por pseudo-criadores que cometem o erro de fazer prevalecer a quantidade sobre a qualidade, no segundo caso, as "galinhas" são pseudo-bengalins criados por pseudo-criadores que cometem o erro de fazer prevalecer o parâmetro de avaliação porte, sobre outros critérios de avaliação que são muito mais importantes num Bengalim a sério, tais como a intesidade de cor o desenho e os diferentes padrões. Eu já disse numa publicação anterior e volto a dizer, o Bengalim não é uma ave de porte. Por isso dou um conselho a alguns ou a muitos, se é para começar a criar Bengalins então criem a sério, peçam conselhos a verdadeiros criadores da espécie e refiro-me aos mestres dos Bengalins, criadores experientes com os quais eu tive o privilégio de poder contar, representando o papel de verdadeiros mentores e não sucumbir no erro de pedir conselhos a pseudo-criadores ou a criadores de outras espécies, que em nada vão ajudar, só vão piorar e ainda por cima tentar prejudicar, em alguns casos. Em Portugal ainda se verifica muito isto "cada um por si" e "orgulhosamente sós" que em nada se contribui para o sucesso do próximo, em criar condições para que isso aconteça e é por isso que os países europeus mais desenvolvidos continuarão sempre à frente de Portugal em todos os aspetos, pois aqui predomina a entreajuda, as pessoas ajudam-se e complementam-se umas às outras, um exemplo evidente disso incide no facto de num país de dimensões reduzidas à escala europeia existirem duas federações ornitológicas, ao mínimo desentendimento ocorre logo uma fratura, em vez de se criar uma zona/plataforma de entendimento.

A espécie Lonchura striata domestica, vulgarmente designada por Bengalim do Japão, ocupa um lugar singular no universo da ornitologia de criação. Apesar de ser frequentemente desvalorizada tanto do ponto de vista monetário como social, sobretudo por aqueles que sustentam o argumento de que se trata de uma ave relativamente fácil de reproduzir e de manter, tal perspectiva revela, na realidade, uma compreensão superficial e incompleta das verdadeiras exigências inerentes à criação séria e tecnicamente fundamentada desta espécie. Importa, desde logo, estabelecer uma distinção conceptual essencial entre o simples ato de reproduzir aves e o processo muito mais complexo, rigoroso e intelectualmente exigente que constitui a verdadeira criação seletiva.

A reprodução, entendida na sua forma mais elementar, corresponde ap***s à obtenção de descendência. Criar, porém, num sentido pleno e rigoroso, implica um conjunto articulado de procedimentos técnicos, científicos e éticos que visam a melhoria progressiva da qualidade da população criada. Neste contexto, a criação responsável do Bengalim do Japão exige um profundo conhecimento dos mecanismos de seleção genotípica e fenotípica, da interpretação correta da relação entre genótipo e fenótipo, bem como da aplicação consistente de critérios morfológicos e cromáticos bem definidos.

Com efeito, a coerência entre genótipo e fenótipo constitui um dos pilares fundamentais de qualquer programa de criação sério. De modo geral, indivíduos portadores de um genótipo de elevada qualidade tendem a manifestar um fenótipo igualmente superior, refletindo de forma consistente o potencial genético que possuem. A situação inversa raramente se verifica: aves que não possuam uma base genética sólida dificilmente conseguirão apresentar, de forma estável, características fenotípicas de excelência. Assim, a observação atenta das características visíveis da ave deve sempre ser acompanhada por uma compreensão profunda da sua origem genética e da sua linhagem, evitando interpretações simplistas baseadas exclusivamente na aparência momentânea.

Todavia, o processo de criação de qualidade não se limita à seleção genotípica e fenotípica. Pelo contrário, envolve um conjunto vasto de procedimentos complementares, entre os quais se destacam: a planificação criteriosa dos acasalamentos, com base na análise das linhagens e na previsão dos resultados genéticos, o controlo rigoroso da consanguinidade, evitando tanto o empobrecimento genético como a perda de características desejáveis, a manutenção de registos genealógicos detalhados, permitindo acompanhar a evolução das linhagens ao longo das gerações, a avaliação contínua das características morfológicas, cromáticas e comportamentais dos exemplares, a gestão nutricional adequada às diferentes fases do ciclo de vida biológico, e, ainda, a implementação de condições ambientais que favoreçam o bem-estar e o desenvolvimento fisiológico pleno das aves.

Acresce a estes fatores a necessidade de uma seleção extremamente criteriosa dos indivíduos que devem integrar os programas de reprodução. Tal implica a eliminação reprodutiva de exemplares que, embora possam apresentar uma aparência aceitável à primeira vista, revelem fragilidades genéticas, inconsistências cromáticas ou desvios morfológicos relativamente ao padrão desejado. Esta disciplina seletiva é muitas vezes negligenciada por criadores menos rigorosos, que privilegiam a quantidade de exemplares produzidos em detrimento da qualidade global da população criada.

É precisamente neste ponto que se observa uma das principais causas da desvalorização do Bengalim do Japão. Uma parte considerável dos indivíduos disponíveis no mercado nacional resulta de práticas de criação desprovidas de critérios seletivos exigentes. Surgem, assim, aquilo que metaforicamente se poderia designar por “pseudo-bengalins”, frequentemente referidos por mim e por outros criadores como “ratinhos” ou “galinhas”.

No primeiro caso, os denominados “ratinhos” correspondem a aves resultantes de programas de reprodução orientados quase exclusivamente para a produção massiva de exemplares, onde a quantidade prevalece claramente sobre a qualidade. A ausência de uma seleção rigorosa conduz inevitavelmente à degeneração progressiva das características morfológicas e cromáticas que definem um verdadeiro Bengalim.

No segundo caso, as denominadas “galinhas” resultam de uma abordagem igualmente distorcida, na qual se privilegia excessivamente o parâmetro do porte em detrimento de outros parâmetros de avaliação substancialmente mais relevantes. Convém sublinhar, de forma inequívoca, que o Bengalim do Japão não era, não foi, não é, nem nunca será, uma ave cuja avaliação se deva centrar primordialmente na dimensão corporal. Elementos como a intensidade e uniformidade da cor, a definição e regularidade do desenho, a qualidade dos diferentes padrões, bem como a harmonia global do fenótipo, constituem parâmetros de avaliação muito mais determinantes na apreciação de um exemplar de verdadeira qualidade.

Outra situação, algo que não é muito discutido, os critérios de julgamento do Bengalim do Japão deveriam ser alargados também ao genótipo, uma vez que, não há nenhum critério que avalie o genótipo de um Bengalim e uma ave completa é o resultado de uma coerência maior ou menor entre genótipo e fenótipo. No âmbito da apreciação técnica e da avaliação formal da espécie Lonchura striata domestica, subsiste uma questão de particular relevância que, paradoxalmente, permanece pouco debatida nos círculos ornitológicos especializados: a absoluta ausência de critérios de julgamento que contemplem, de forma explícita e sistematizada, a dimensão genotípica dos exemplares avaliados. Com efeito, os atuais sistemas de classificação e julgamento utilizados em exposições e concursos ornitológicos concentram-se predominantemente na observação e análise do fenótipo, isto é, no conjunto das características morfológicas, cromáticas e estruturais que se manifestam exteriormente no indivíduo. Embora tal abordagem possua uma utilidade evidente, uma vez que o fenótipo constitui a expressão visível e imediatamente observável do organismo, apresenta, todavia, limitações substanciais quando se pretende proceder a uma avaliação verdadeiramente completa e rigorosa da qualidade de um exemplar. O fenótipo, por si só, não representa a totalidade da realidade biológica da ave, mas antes a manifestação externa de um conjunto de interações complexas entre a informação genética herdada e os fatores ambientais que influenciam o desenvolvimento do indivíduo. Neste sentido, torna-se pertinente considerar que a avaliação exclusiva do fenótipo pode conduzir, em determinadas circunstâncias, a interpretações incompletas ou mesmo potencialmente equívocas relativamente ao verdadeiro valor genético de um exemplar. Uma ave que apresente um fenótipo aparentemente exemplar poderá, em alguns casos, possuir um genótipo menos consistente ou menos estável, circunstância que ap***s se tornará evidente nas gerações subsequentes, aquando da transmissão das suas características aos descendentes. Inversamente, podem existir exemplares cujo fenótipo não reflita de forma plenamente evidente a qualidade do seu património genético, mas que, enquanto reprodutores, revelem uma capacidade notável para transmitir características desejáveis de forma consistente. Deste modo, impõe-se a reflexão sobre a possibilidade de alargar os critérios de julgamento da espécie, de forma a integrar, ainda que de modo indireto ou inferencial, elementos que permitam avaliar também a dimensão genotípica dos exemplares. Tal não significaria substituir a avaliação fenotípica, que continuará inevitavelmente a desempenhar um papel central, mas complementá-la com instrumentos que permitam obter uma percepção mais abrangente e tecnicamente fundamentada da qualidade global da ave. A integração do genótipo como elemento relevante na avaliação do Bengalim do Japão pressupõe, naturalmente, a adoção de metodologias específicas. Entre estas poderiam incluir-se, por exemplo, a robustez geral, a forma da cabeça (quando robusta indica uma excelente genética), do dorso do bico, da cauda e a estabilidade comportamental. Tal abordagem permitiria reconhecer formalmente um princípio fundamental da biologia e da criação seletiva: o de que a qualidade de um indivíduo não pode ser plenamente compreendida ap***s através da sua aparência momentânea, mas deve ser analisada também à luz do seu potencial genético e da sua capacidade de transmitir características desejáveis à descendência. Em termos conceptuais, uma ave verdadeiramente completa resulta sempre de uma relação harmoniosa entre genótipo e fenótipo. O fenótipo representa a expressão visível dessa relação, mas é o genótipo que constitui o seu fundamento estrutural e hereditário. Ignorar a dimensão genotípica na avaliação de uma ave equivale, portanto, a considerar ap***s a superfície do fenómeno biológico, negligenciando a estrutura genética que lhe confere continuidade ao longo das gerações. Tal limitação torna-se particularmente evidente no contexto da criação seletiva, onde o objetivo último não é ap***s produzir indivíduos esteticamente apelativos, mas sim consolidar linhagens geneticamente estáveis, capazes de reproduzir de forma consistente determinadas características de excelência. No caso específico do Bengalim do Japão, esta questão assume uma importância acrescida, dado que muitas das características que definem a qualidade da espécie, nomeadamente a intensidade cromática, a nitidez dos desenhos, a regularidade dos padrões e a harmonia global da morfologia, dependem fortemente da estabilidade genética das linhagens. Uma avaliação que ignore este fator corre o risco de valorizar exemplares cuja qualidade seja ap***s circunstancial, em detrimento de aves que, embora eventualmente menos impressionantes numa observação isolada, possuam um potencial genético muito mais sólido. A reflexão sobre o alargamento dos critérios de julgamento à dimensão genotípica poderia, portanto, representar um passo significativo na evolução dos sistemas de avaliação aplicados a esta espécie. Tal evolução contribuiria não ap***s para uma apreciação mais rigorosa dos exemplares apresentados em exposições, mas também para incentivar práticas de criação mais responsáveis, orientadas para a consolidação genética das linhagens e para a melhoria sustentável da qualidade da população criada. Reconhecer a importância do genótipo no processo de avaliação do Bengalim do Japão corresponde a afirmar um princípio essencial da criação seletiva: a excelência fenotípica só adquire verdadeiro significado quando assenta numa base genética sólida e coerente. Uma ave verdadeiramente notável não é ap***s aquela que apresenta um aspeto exterior exemplar num determinado momento, mas aquela cuja aparência constitui a manifestação fiel de um património genético consistente, equilibrado e capaz de perpetuar, nas gerações futuras, as qualidades que a distinguem.

Neste contexto, torna-se evidente que a valorização desta espécie depende, em grande medida, da postura adotada pelos próprios criadores. Aqueles que se limitam a reproduzir aves indiscriminadamente, sem qualquer preocupação com critérios seletivos ou com a preservação da qualidade genética, acabam inevitavelmente por contribuir ainda mais para a desvalorização progressiva da espécie. Tal prática representa não ap***s uma abordagem tecnicamente deficiente, mas também uma forma de desrespeito para com uma ave cuja história e potencial genético merecem uma consideração muito mais elevada.

Pelo contrário, a criação séria do Bengalim do Japão exige dedicação, rigor metodológico e uma permanente procura pela excelência. Neste percurso, a orientação de criadores experientes verdadeiros mestres da espécie, assume um papel absolutamente fundamental. O conhecimento acumulado ao longo de décadas de experiência prática constitui um recurso inestimável, que dificilmente pode ser substituído por informação superficial ou por conselhos provenientes de indivíduos sem experiência sólida na criação específica desta espécie.

Infelizmente, em determinados contextos nacionais observa-se ainda uma cultura de isolamento entre criadores, frequentemente sintetizada nas expressões “cada um por si” ou “orgulhosamente sós”. Esta atitude, profundamente contraproducente, dificulta a circulação de conhecimento, limita a cooperação técnica e impede a criação de comunidades de criadores verdadeiramente sólidas e orientadas para a melhoria coletiva da qualidade das aves.

Em vários países europeus com tradição ornitológica mais consolidada, verifica-se precisamente o contrário: a partilha de informação, a colaboração entre criadores e a existência de estruturas organizativas coesas que contribuem decisivamente para o progresso técnico e para a valorização das espécies criadas. A cooperação permite a troca de linhagens de qualidade, a comparação de métodos de criação e a construção de padrões de excelência amplamente reconhecidos.

No caso português, a existência de múltiplas estruturas federativas no domínio da ornitologia, frequentemente resultantes de divergências institucionais, constitui um exemplo ilustrativo das dificuldades de articulação que persistem neste meio. Em vez de se privilegiar a criação de plataformas de entendimento e colaboração, pequenas divergências tendem por vezes a originar fraturas institucionais que enfraquecem o conjunto do movimento ornitológico.

Acresce a este panorama o facto de uma parte significativa dos intervenientes na ornitologia nacional não possuir formação técnica aprofundada na área da genética, da seleção animal ou da gestão de programas de criação. Muitos querem criar sem ter conhecimento para isso. Tal circunstância dificulta a implementação de práticas de criação cientificamente fundamentadas, favorecendo a perpetuação de métodos pouco rigorosos e, em alguns casos, claramente contraproducentes para a melhoria das espécies.

Perante este cenário, a valorização do Bengalim do Japão exige uma mudança de paradigma. É necessário promover uma cultura de criação baseada no conhecimento, na cooperação e na exigência técnica. A qualidade deve prevalecer sistematicamente sobre a quantidade, e cada decisão de reprodução deve ser tomada com base numa análise criteriosa das características genéticas e fenotípicas dos indivíduos envolvidos.

Para aqueles que verdadeiramente se dedicam a esta espécie, o caminho pode por vezes parecer solitário. Contudo, é precisamente através da persistência, da disciplina seletiva e da recusa em comprometer padrões de qualidade que se constrói, a longo prazo, a valorização de uma linhagem e, consequentemente, da própria espécie. A exigência máxima aplicada de forma consistente e consciente, constitui, afinal, um dos motores fundamentais do sucesso em qualquer área de atividade, e a ornitologia desportiva não constitui exceção.

Assim, longe de ser uma ave “fácil” ou desprovida de valor, o Bengalim do Japão revela-se, para o criador verdadeiramente dedicado, um campo de trabalho extremamente exigente e intelectualmente estimulante. Criar bem esta espécie implica muito mais do que permitir que as aves se reproduzam, significa compreender profundamente a sua genética e o seu fenótipo, respeitar a sua morfologia, aperfeiçoar continuamente os critérios de seleção e trabalhar, geração após geração, na construção de exemplares que representem verdadeiramente a excelência desta notável espécie.

Lucas Mendes da Paz, 15/03/2026

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