03/01/2026
Ontem atendi, na primeira consulta neurológica do ano, um caso que começou na noite de 24 de dezembro 2025.
Um cão da raça poodle, até então saudável, entrou em desespero absoluto por causa dos fogos de artifício.
No pânico, ele acabou empurrando um gaveteiro, as gavetas se abriram, derrubou ferramentas que estavam sobre o móvel. Até então não sabíamos que tipo trauma aconteceu naquela noite.
Quando o tutor chegou em casa, encontrou seu pet extremamente ofegante, com incoordenação dos membros e com tremores.
⏳ Em apenas 24 horas, iniciou-se a perda de força dos membros pélvicos.
📉 Ao longo de 7 dias, o quadro evoluiu de forma progressiva e ascendente ou seja os sinais foram progredindo em direção da coluna torácica e cervical.
• perda do movimento dos quatro membros,
• perda da dor profunda,
• e, por fim, dificuldade respiratória, com redução da amplitude dos movimentos torácicos, Levando ao quadro de agonia respiratória….
Incompatível com a vida.
O diagnóstico foi mielomalácia progressiva (uma doença fatal)
🧠 Mas o que é mielomalácia progressiva?
É uma condição grave e irreversível, caracterizada pela necrose (morte) do tecido da medula espinhal, que vai “subindo” ao longo da medula. À medida que progride, compromete não apenas os movimentos, mas também funções vitais, como a respiração. Infelizmente, trata-se de um quadro com prognóstico extremamente reservado, levando a morte do paciente.
Tudo isso teve início com a queima de fogos de artifício…
Um barulho evitável.
Um sofrimento previsível.
Uma tragédia anunciada.
❓ Até quando irão permitir o estouro de fogos, sendo que todos têm consciência do quanto eles são prejudiciais para os animais — não apenas domésticos, mas também para aves de vida livre, que entram em pânico, se ferem, se perdem e morrem?
Que essa história real sirva como reflexão..
Barulho passa…
O trauma, muitas vezes é fatal.