30/03/2016
O risco da presença das Capivaras – Hydrochaeris hydrochaeris, em ambiente urbanizado.
Informativo Técnico
As doenças transmitidas por animais não domésticos e/ou peridomiciliares, devem ser consideradas em áreas próximas a parques ou reservas ecológicas, sendo assim, devemos exercer a prevenção e a profilaxia como a principal forma de evitar as doenças nos animais domésticos e no homem. Ações de controle devem ser criadas para orientar administradores e a população, pois várias doenças podem ser transmitidas a partir desses animais, em especial as capivaras.
A contaminação ambiental através das fezes que albergam ovos e larvas de parasitos gatrintestinais e ectoparasitos são um problema de saúde pública devido ao seu potencial zoonótico, alguns desses parasitos causam infecções em humanos através da migração destas larvas (visceral e cutânea). Os ectoparasitos (carrapatos, pulgas e mosquitos) são vetores competentes de doenças como a Borreliose de Lyme, Babesiose, Rickettsiose, Erlichiose, algumas viroses, constituindo um problema de Saúde Pública de grande importância para a comunidade.
A importância dos carrapatos como transmissores de doenças é reconhecida como fator importante na infecção do homem e integra a lista de doenças de notificação compulsória do Ministério da Saúde. A Febre Maculosa Brasileira (FMB), uma zoonose, cujo agente etiológico circula entre carrapatos e mamíferos, independentemente da participação de humanos, doença zoonótica, febril aguda, e re-emergente, que apresenta altas taxas de letalidade se não for cuidada a tempo. Ela tem como agente etiológico a Rickettsia rickettsii, bactéria gram-negativa intracelular, cocobacilar pleomórfica, visível à microscopia óptica comum, também responsável pela “Febre das Montanhas Rochosas” (Rocky Montain Spotted Fever) na América do Norte. É transmitida por carrapatos da família Ixodidae que servem como vetores e reservatórios da doença, capazes de perpetuarem a bactéria por gerações através da transmissão transovariana e transestadial. No Brasil, são estimadas 61 espécies de carrapatos, sendo as espécies do gênero Amblyomma, já que inclui as principais espécies que parasitam humanos, mais numeroso e o de maior importância médica. As espécies mais importantes são o Amblyomma fuscum (A. cajennense) e Amblyomma aureolatum, que foram testadas em laboratório quanto a infecção experimental com Rickettsias, e são responsáveis pela manutenção enzoótica e transmissão da FMB, além da potencial participação de Amblyomma ovale, sendo A. fuscum, considerado como o principal vetor da doença. Os equinos, capivaras e antas estão entre os principais hospedeiros para todos os estágios parasitários de A. fuscum: enquanto que, as capivaras são também hospedeiros primários para A. dubitatum. Nos locais de relatos desta doença, tem sido encontrada altas infestações de carrapatos na vegetação e observou-se a presença de capivaras, hospedeiros primários de Amblyomma fuscum e Amblyomma cooperi.
A ação dos órgãos ambientais na proteção e preservação destes mamíferos proporcionou a recuperação desse vertebrado, que sem predadores naturais e com o habitat natural degradado, tornaram-se populações problemas em áreas urbanas e principalmente em parques públicos, onde cada vez mais se aproximam dos domicílios devido a não manutenção das divisas dos parques, expondo animais domésticos e seres humanos a doenças parasitárias de cunho zoonótico. Esses animais albergam a bactéria na circulação sanguínea e não manifestam sinais clínicos, contaminando os carrapatos que podem parasitar o cão e o homem, esse convívio próximo exige que essas doenças transmissíveis sejam controladas através de programas de prevenção e controle, melhorando a condição sanitária do habitat e evitando a contaminação ambiental e os riscos de zoonoses através da manutenção das capivaras no seu habitat evitando sua aproximação dos domicílios.
fonte: http://blog.ctiveterinario.com.br/2016/01/19/o-risco-da-presenca-das-capivaras-hydrochaeris-hydrochaeris-em-ambiente-urbanizado/