Veterinária Fernanda Vituri

Veterinária Fernanda Vituri Fisiatra e Paliativista 💛

02/06/2026

Quando falamos de doenças crônicas, um dos nossos principais objetivos é preservar função.

E, muitas vezes, isso passa pela preservação da massa muscular. 💪🏻

Um estudo recente avaliou retrospectivamente 120 cães com doença renal crônica e observou um dado interessante: o escore corporal não foi um fator associado a uma maior sobrevida. Já a perda progressiva de massa muscular esteve relacionada a um risco de mortalidade 3,85 vezes maior.

Ou seja, independentemente do estágio da doença renal, manter massa muscular parece ter um impacto importante na sobrevida desses pacientes.

É exatamente por isso que a fisioterapia faz parte do manejo de tantas doenças crônicas. Quando trabalhamos mobilidade, força e funcionalidade, não estamos pensando apenas em movimento, estamos tentando preservar autonomia, qualidade de vida e, potencialmente, influenciar desfechos importantes para esses pacientes.

Já tinham visto esse estudo?

Para acessar:

Vendramini, T. H. A., P. H.Marchi, V.Pedrinelli, et al. 2026. “Muscle Mass Is a Better Predictor of Survival in Dogs With Chronic Kidney Disease Compared to Body Condition Score.” Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition0: e70061.

Para que o paciente perca peso, é necessário gerar um déficit calórico, e isso envolve tanto o aumento do gasto quanto o...
12/05/2026

Para que o paciente perca peso, é necessário gerar um déficit calórico, e isso envolve tanto o aumento do gasto quanto o controle da ingestão.

Dentro da fisioterapia, o papel é organizar o movimento de forma estratégica: aumentar a demanda metabólica, elevar a frequência cardíaca e, principalmente, manter o paciente ativo de forma consistente e progressiva.

Isso pode ser feito com caminhadas mais longas, sessões divididas ao longo do dia e atividades que mantenham o movimento contínuo.

Em pacientes com dor ou limitação, recursos como a hidroesteira ajudam a aumentar o gasto energético com menor sobrecarga articular.

O resultado não vem de um exercício específico, mas da soma de nutrição + movimento + consistência.

💬 Na sua rotina, você costuma alinhar manejo nutricional junto com o plano de exercício?

06/05/2026

A ruptura de ligamento cruzado é uma das alterações ortopédicas que a gente mais vê na rotina.

Na maioria dos casos, o tratamento passa pela correção cirúrgica.
Mas tem um ponto importante que muita gente ainda subestima: a reabilitação.

A fisioterapia pode começar antes mesmo da cirurgia, ajudando a reduzir inflamação e preparar o tecido.
E no pós-operatório, ela é essencial para recuperar função, força e estabilidade.

Operar e não reabilitar NÃO fecha o tratamento.

Porque sem trabalhar musculatura e movimento, o corpo começa a compensar - e essas compensações, com o tempo, viram novos problemas.

No fim, não é só sobre o joelho, é sobre como esse paciente vai se movimentar dali pra frente!

Exames de imagem mostram estrutura!Na osteoartrite, por exemplo, é comum encontrar alterações importantes no raio-x em p...
05/05/2026

Exames de imagem mostram estrutura!

Na osteoartrite, por exemplo, é comum encontrar alterações importantes no raio-x em pacientes com pouca manifestação clínica e também o contrário.

Isso acontece porque a dor não depende só da estrutura: ela envolve inflamação, sensibilização e como aquele corpo está funcionando.

Os exames de imagem precisam ser interpretados junto com a clínica e com a forma como o paciente se move.

💬 Você já pegou na sua rotina um animal que sentia dor mas no exame de imagem não havia alteração importante?

02/05/2026

Comunicação também faz parte do cuidado!

E talvez seja uma das partes mais desafiadoras, porque a gente não aprende isso na graduação.

Quando falamos de pacientes em cuidados paliativos, não estamos lidando só com o animal, estamos lidando com uma família.

E, muitas vezes, essa família tem crianças.

Crianças que também percebem a mudança, sentem a ausência, vivem o luto - mesmo que nem sempre saibam nomear isso.

Por isso, a forma como conduzimos essa conversa importa.
Adaptar a linguagem, incluir a criança no processo, preparar para a despedida… tudo isso faz parte do cuidado.

Você já passou por situações assim na sua rotina?
Como costuma conduzir essa conversa com a família?

Falar sobre diagnóstico grave, prognóstico reservado ou cuidados paliativos não é simples.Existem ferramentas que ajudam...
30/04/2026

Falar sobre diagnóstico grave, prognóstico reservado ou cuidados paliativos não é simples.
Existem ferramentas que ajudam a organizar essa comunicação, e o protocolo SPIKES é uma delas.

Ele propõe um passo a passo para conduzir essas conversas com mais clareza, empatia e segurança:

🔹 S – Setting: preparar o ambiente e o momento da conversa
🔹 P – Perception: entender o que o tutor já sabe
🔹 I – Invitation: perceber até onde ele quer saber naquele momento
🔹 K – Knowledge: transmitir a informação de forma clara e gradual
🔹 E – Emotions: acolher as emoções que surgem
🔹 S – Strategy & Summary: alinhar próximos passos e plano de cuidado

Perceba que não é um roteiro engessado. É uma forma de estruturar esse tipo de conversa que, muitas vezes, é difícil até para quem já tem experiência.

Uma boa comunicação muda a forma como o tutor entende, participa e enfrenta o processo.

Você já conhecia o SPIKES ou usa alguma estratégia para conduzir essas conversas?

Doença crônica muda tudo.Muda a rotina, muda a casa, muda o tempo…e, muitas vezes, muda também quem cuida.É o responsáve...
28/04/2026

Doença crônica muda tudo.

Muda a rotina, muda a casa, muda o tempo…
e, muitas vezes, muda também quem cuida.

É o responsável que administra medicação, adapta o ambiente, observa sinais, toma decisões todos os dias.

E junto com esse cuidado, pode vir o cansaço. A sobrecarga.
Mesmo quando existe muito amor envolvido.

Isso precisa ser visto.

Nos cuidados paliativos, a gente entende que o paciente não está sozinho.
Existe uma unidade de cuidado: o animal e a sua família.

Cuidar bem também passa por acolher quem sustenta esse processo no dia a dia.

A fisioterapia melhora o resultado pós-operatório?No caso de cães submetidos à TPLO não é só uma percepção clínica, já f...
23/04/2026

A fisioterapia melhora o resultado pós-operatório?

No caso de cães submetidos à TPLO não é só uma percepção clínica, já foi avaliada em estudo.

Um trabalho de Monk et al. (2006) comparou cães que realizaram essa cirurgia com e sem fisioterapia no pós-operatório.

Os pacientes que passaram por reabilitação apresentaram:

- melhor uso do membro
- recuperação funcional mais rápida
- melhor desempenho ao longo do tempo

Esse tipo de evidência reforça algo que vemos na prática todos os dias: esperar não devolve função - estímulo controlado, sim.

Esse post complementa o conteúdo anterior, onde falamos sobre a ideia de que a fisioterapia seria “opcional” no pós-operatório.

Você já percebeu diferença na evolução de pacientes com e sem reabilitação?

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