10/10/2025
Alerta de textão:
A parte mais difícil do meu trabalho como adestradora não é lidar com cães agressivos, medrosos, resolver casos complexos ou lidar com as pessoas.
Para mim, processar o luto é uma das tarefas mais difíceis do meu trabalho como e que, acreditem, faz parte do meu dia a dia.
A verdade é que me sinto parte importante na vida de cada família que começa o adestramento comigo e me coloco nesse lugar não por soberba, mas porque me sinto responsável por melhorar a vida dos cães e das pessoas que confiam no meu trabalho. Mas, poucas pessoas mantém o adestramento por muito tempo, seja por questões financeiras ou pelo processo natural de evolução do cachorro e, qdo chega ao fim, eu tenho que lidar com o luto. Meus clientes não sabem (ate agora né rs), mas eu me apego de verdade aos cachorros.
Também tem o outro lado, tem aqueles que ficam. Ficam por tanto tempo que passam a fazer parte da minha vida como se fossem meus cães. E esses quando vão embora deixam um vazio estratosférico.
Assim foi com a Loló. A Aurora chegou pra mim com 10 meses extremamente medrosa e acredito que ela tenha sido meu primeiro caso mais complexo. Na época eu tinha pouquíssima experiência, mas muita vontade de aprender e, de forma meio intuitiva, com o apoio da família, pensei: não vou forçar, vou fazer as coisas respeitando o momento dela. Aos poucos, Aurora foi aprendendo a ser cachorro e a confiar nas pessoas, nos cães, nos ambientes. Eu tive o privilégio de acompanhar de perto toda a evolução dela por quase 14 anos.
Aurora viveu uma vida linda e feliz, se tornou mais confiante, comilona, adorava treinar... mas envelheceu... e se foi... rodeada de amor e carinho como sempre.
Que todos os animais tenham a sorte de serem amados e cuidados como a Aurora foi pela familia dela.
Obrigada, Re por ter confiado em mim quando eu era uma menina inexperiente e por ter me dado o privilegio de estar com vcs nessa jornada.
Obrigada por todo o aprendizado, Loló! Você faz muita falta, mas ficaremos todos bem. Amo você ❤️