24/10/2026
Dar um nome ao que dói é, talvez, o primeiro passo para conseguir olhar para uma nova realidade sem fugir.
No começo, a gente tenta ocupar a cabeça, evita falar sobre o assunto e guarda aquele sentimento em uma caixinha, como quem pensa que, se não olhar para a dor, talvez ela desapareça. Mas ela não desaparece. O luto encontra outros caminhos para aparecer.
Às vezes, vem em uma lembrança bonita, em uma foto, em um brinquedo que ficou. E, por alguns instantes, a saudade faz sorrir. Em outros dias, a mesma lembrança dói. A falta aperta o peito e parece impossível entender como alguém que trouxe tanta felicidade pode deixar uma ausência tão grande.
E é assim que, aos poucos, a gente começa a entender que o luto não é igual todos os dias. Ele muda. Há dias de perguntas, dias de silêncio, dias em que a saudade parece maior. E há dias em que conseguimos lembrar sem que a dor seja a primeira coisa a chegar.
Talvez aprender a conviver com o luto seja justamente isso: entender que ele não precisa ser expulso, esquecido ou guardado em uma caixinha. Ele pode estar ali. E nós podemos continuar vivendo.
Porque, depois que alguém que amamos parte, não existe mais uma vida sem aquela presença. Existe uma nova vida, construída a partir de tudo o que foi vivido e de todo o amor que ficou.
E aceitar que o luto pode nos acompanhar para sempre não signif**a aceitar uma dor que nunca passa. Signif**a entender que o amor de quem se foi também não acaba. Ele muda de lugar e passa a viver nas nossas lembranças, na nossa história e em tudo aquilo que aquele amor deixou em nós. 💙