28/03/2026
Após as chuvas, o sertão respira diferente. A terra, que antes rachava de sede, agora guarda água como quem guarda um segredo antigo. O açude se enche devagar, refletindo o céu e devolvendo vida ao que parecia esquecido.
Os pássaros sabem primeiro. Chegam em revoada, cortando o vento, desenhando caminhos no alto, como se comemorassem cada gota caída. O silêncio seco dá lugar a sons que voltam: asas, cantos e o leve movimento da água.
Tudo muda, mas sem pressa. O verde começa tímido, brota aqui e ali, e de repente já toma conta do olhar. O sertão mostra que não é só resistência, é também renascimento.
E quem vê de perto entende: a chuva não traz só água; ela devolve esperança.