Fazenda São Bernardino

Fazenda São Bernardino Patrimônio cultural histórico Somente em 1951 a fazenda é tombada como patrimônio histórico
e artístico. Pouco restou da opulência de outrora. Imagens Iguaçuanas.

Fazenda São Bernardino

Autor da Pesquisa: Nelson Aranha

HISTÓRICO

Considerado um dos mais belos e completos exemplares de fazenda colonial
no Rio de Janeiro (embora não seja tão antiga – data da segunda metade do século
XIX), a Fazenda São Bernardino reunia em seu conjunto arquitetônico todos os
detalhes que a fizeram ser tombada, por solicitação do prefeito Ricardo Xavier da
Silveira, como pat

rimônio artístico e histórico pelo SPHAN, em 26 de fevereiro de
1951. Localizada dentro do território da Vila de Iguaçu, a mais próspera da
Província do Rio de Janeiro, a Fazenda São Bernardino é fruto indireto das
atividades econômicas de sucesso e da fortuna do Comendador Soares
(considerado, por sua forte influência política na Província, o restaurador da Vila de
Iguaçu, vindo a ser presidente de sua Câmara Municipal diversas vezes), através de
uma de suas sociedades, uma firma comercial com Jacinto Manoel de Souza e
Melo. Uma das filhas do comendador – Cipriana Maria Soares – foi casada com um
sobrinho de Jacinto Melo (Bernardino José de Souza e Melo, fundador da Fazenda
São Bernardino) que passa a ser sócio do sogro em vários outros negócios de
sucesso. Tendo suas terras sido adquiridas a partir da década de 1860 (embora o
Comendador já possuísse o sítio Cachimbau a mais tempo), a Fazenda São
Bernardino era servida pela extinta Estrada de Ferro Rio D’Ouro que lhe cortava as
terras na altura do citado sítio – havia uma parada em frente à fazenda e que era
acessada através da alameda de palmeiras imperiais, das quais, parte ainda
subsiste. Acredita-se que o planejamento e a construção da fazenda tenham sido
iniciados na mesma década, tendo sua conclusão e inauguração em 1875. A segunda metade do século XIX foi um tempo de muitas e rápidas
mudanças, em todos aspectos: político, econômico, social etc; a inauguração das
vias férreas e o deslocamento do eixo econômico, as transferências da Matriz
Paroquial e da Câmara Municipal para o Arraial de Maxambomba (atendido pela
ferrovia), as febres, Lei dos Sexagenários, Lei do Ventre Livre e Abolição da
Escravatura, Proclamação da República, entre outros. À Vila de Iguaçu era
decretado o fim; a Fazenda São Bernardino, que estava compreendida dentro do
seu território, perdia sua importância e passava a ser casa de campo e caça, já que
sua produção não objetivava de todo fins comerciais, e sim, a produção de sustento
da própria fazenda e das casas dos parentes dos proprietários, na então Vila de
Iguaçu. A fazenda, pouco usada, mas ainda em bom estado, foi vendida aos sócios
João Julião e Giácomo Gavazzi pelos herdeiros de Bernardino, em 1917. Gavazzi
não a utilizou como residência e, sim, com fins de implantação de suas atividades
econômicas – inicialmente a citricultura; assim promoveu violento corte nas florestas
existentes na área, abriu uma estrada para passagem dos caminhões de lenha
prejudicando, dessa forma, as bases de pedra e cal das cocheiras e abatendo
algumas das palmeiras imperiais. Em janeiro de 1940 o prefeito de Nova Iguaçu,
Ricardo Xavier da Silveira, oficia ao SPHAN solicitando o tombamento da Fazenda
São Bernardino. Segundo Waldick Pereira, o próprioGavazzi saqueou e vendeu quase tudo que havia no conjunto. Em meados da
década de 1980 ocorre o golpe final da história da São Bernardino: um incêndio
suspeito terminou por arruinar o pouco que restara da fazenda, que já havia sido
saqueada e abandonada aos rigores do tempo e do clima. CRONOLOGIA

13/10/1861 – A firma Soares & Melo, como cessionária da viúva Moreira (de Luiz
Manoel Bastos), José Joaquim Gonçalves, Manoel José Ferreira, Manoel de Moura
Alves e Barão do Guandu (credores de José Frutuoso Rangel, inventariante de sua
mulher, Antônia de Moura Rangel), adquire terras do citado inventariante, após o
pagamento das dívidas do casal. Tratava-se de um sítio de floresta, em terras
próprias, com trezentas e oitenta e sete braças e sete palmos, mais ou menos, com
todas as benfeitorias e onze escravos, pelo valor de três contos de réis. Tudo
registrado no cartório do tabelião José Manoel Caetano dos Santos (processo n°
2.252, existente no Cartório do 1° Ofício de Nova Iguaçu). O sítio é comprado
posteriormente por Bernardino José de Souza e Melo por dois contos de réis.

03/06/1862 – Bernardino José de Souza e Melo adquire o sítio Bananal (vizinho ao
sítio Cachimbau, do Comendador Francisco José Soares) que era de propriedade
de Francisco de Paula e Silva e sua mulher, Maria Maciel Rangel da Silva. Este sítio
media 434 braças de testada e 603 de fundos, confrontando-se ao norte com o de
José Gonçalves Bastos, ao sul com o de José Frutuoso Rangel, nos fundos com o
dos herdeiros do Capitão Joaquim mariano de Moura e na frente com o de
Fortunato José Pereira. O citado sítio estava hipotecado a Francisco José Soares e
Luísa Joaquina da Costa Neves que abriram mão da hipoteca em favor de
Bernardino José de Souza e Melo. Os dois sítios são anexados e formam o primeiro
núcleo territorial para compor as terras da futura Fazenda São Bernardino.
1862 – Acredita-se que neste ano tenha sido planejada a construção da fazenda.
1875 – Neste ano, conforme inscrição outrora existente na fachada principal da
Casa Grande, teria sido concluída a sua construção e inaugurada a fazenda,
conforme constava, até 1976, na placa fixada na fachada do prédio.
1917 – Os sócios João Julião e Giácomo Gavazzi compram a Fazenda São
Bernardino do Coronel Alberto de Melo, herdeiro de Bernardino. Janeiro de 1940 – Por ocasião do aniversário do Município de Nova Iguaçu, o
prefeito Ricardo Xavier da Silveira encaminhava ao diretor do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, ofício solicitando a preservação da Fazenda São Bernardino.

26/02/1951 – A Fazenda São Bernardino recebe o tombamento solicitado pelo
prefeito Ricardo Xavier da Silveira, ficando registrada, no SPHAN, sob o número de
inscrição 390, do Processo 432-T, do Livro “Belas Artes”, às folhas 76. Julho de 1965 – O historiador Waldick Pereira, do Instituto Histórico e Geográfico
de Nova Iguaçu, visita a Fazenda São Bernardino e faz um levantamento do estado
da mesma e de seu patrimônio. Restavam algumas peças originais e outras da
época da compra: mobiliário, fogão de ferro (ainda em funcionamento), um grande
espelho oval na sala principal, candelabros e peças da capela, entre outras. Na
senzala e nas construções do engenho: bomba a vapor, peças de carruagens,
ferragens, polias, tonéis, um carro-de-boi e móveis quebrados.Julho de 1965 – Os arquitetos Alexander Nicolaeff e Fernando Abreu, do Instituto
dos Arquitetos do Brasil emitem um relatório descritivo a partir de sua visita à
fazenda.

1967 – A convite de Waldick Pereira, do IHGNI, o Coronel Alberto Soares de Souza
e Melo e Bernardino José de Souza e Melo Júnior, herdeiros de Bernardino José de
Souza e Melo, construtor da fazenda, visitam-na, constatando o estado em que se
encontrava a mesma e, ao mesmo tempo, indicando nas benfeitorias onde se
localizavam os objetos, dependências e como eram desenvolvidas as atividades do
dia-a-dia.

8/12/1975 – O Decreto n° 1459 dava provisão à desapropriação da fazenda com fins
de preservação e criação de um “Parque de Múltiplo Uso”.
30/12/1975 – A Lei n° 50 dispondo sobre o “Uso e Ocupação do Solo/Zoneamento”
inclui a região de “Iguaçu Velha” e “Fazenda São Bernardino” na “Zona
Turístico-Cultural” do município.

23/04/1976 – O Decreto 1520 ratifica o de n° 1459 e desapropria a fazenda de
Giácomo Gavazzi, seus herdeiros ou sucessores.
02, 03 e 04 de abril de 1976 – Realiza-se em Nova Iguaçu um “Encontro Regional
de Patrimônio Histórico e Artístico”, promovido pelo Instituto Estadual do Patrimônio
Cultural (do Departamento de Cultura da Secretaria de Estado de Educação e
Cultura). O debate foi pontuado por dois principais aspectos: “conceito de
restauração” e “propostas para a utilização da fazenda”.

06/07/1976 – A Portaria Municipal n° 4 constitui uma comissão para providenciar o
levantamento dos bens da fazenda. Constou no relatório desta comissão terem sido
encontrados apenas os seguintes bens, além dos prédios do engenho e demais
dependências do plano inferior: uma “máquina a vapor”, “um tonel” e “um
carro-de-boi”. Dezembro de 1977 – A Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana
(FUNDREM) contrata os serviços do escritório técnico da firma “Júlio Diniz Pinheiro
e Carlos Alberto de Souza Arquitetos Associados Sociedade Civil Ltda”, para a
elaboração do “Projeto de Restauração Arquitetônica” do conjunto “Engenho e
Senzala”. Foram realizadas escavações, coletados restos de ferragens empregadas
na construção (cravos, fechadura e espelho, corrente, dobradiça, parafusos), capina
e remoção de entulho (resultado do desabamento de grande parte do telheiro, do
madeirame e de paredes). Os espaços arquitetônicos e a multiplicidade de serviços
foram revelados pela prospecção e através de fotografias antigas
Meados da década de 1980 – Um incêndio terminou por arruinar o pouco que
restara da fazenda, que já havia sido saqueada e abandonada, sem que tenham
sido tomadas as providências necessárias e prometidas a tão importante bem, nem
pela municipalidade que não possuía recursos para tanto, nem pelo governo federal,
que havia se comprometido no projeto. DESCRIÇÃO PATRIMONIAL

Casa Grande – Construída sobre um promontório que dominava a região, tinha asparedes externas originalmente pintadas na cor amarelo-creme. Portões, janelas,
portas e guarnições pintadas de verde-escuro. As paredes internas “caiadas de
branco” (conforme inscrição datada de 1887, encontrada em uma das dependências
do engenho em 1977). As telhas e tijolos foram fabricados nas olarias próximas. Escada dupla na entrada principal com gradil e pálio em folha de cobre. Janelas
com folhas divididas com rico desenho de vidraçaria colorida. Beiral de telhas de
louça azul. Internamente forrada em fino trabalho de estuque. O piso e a escada
internos em madeira. À época da compra da fazenda restavam algumas peças
originais e outras de período posterior, tais como: mobiliário, fogão de ferro (ainda
em funcionamento), um grande espelho oval na sala principal, candelabros e peças
da capela, entre outras. Engenhos (Casa de Farinha, Alambique, Engenho de açúcar), e Senzalas (dos
escravos da Casa Grande e dos escravos com outras funções) – em nível
inferior e junto à estrada de acesso à Tinguá. Casas do Engenho montadas em
sólidos alicerces de pedra e cal, com paredes edificadas com tijolões bem cozidos
onde funcionavam os maquinismos (máquina a vapor, moenda, bases das
engrenagens que movimentavam as polias da Casa de Farinha) necessários para o
fabrico de aguardente, farinha, polvilho, tapioca, açúcar, café e fubá, ou seja, o
Moinho de Fubá, a Prensa de Mandioca, Forno, Tanques, etc. Todas essas
dependências ligadas à Casa Grande, no plano superior, pela Beira e por uma
escadaria. Fora do corpo da Casa do Engenho, e entre esta e o início do pomar, um
grande poço para lavagem das canas sujas de lama, para uso nas hortas e no
pomar, etc. A poucos metros do Engenho, no sopé de um monte, cercada e coberta
por tijolos, havia uma nascente de água potável que era coletada pelos escravos
para as atividades da fazenda. Isto, antes da captação das águas da represa de
Tinguá, cujos encanamentos passavam paralelamente à ferrovia, em frente à
fazenda. De tudo que era fabricado, apenas o polvilho e a aguardente eram
produzidos com objetivos comerciais; o restante servia ao consumo interno e de
parentes instalados na Vila de Iguaçu. O Engenho produzia 2000 litros de
aguardente por ano, segundo informações do Coronel Alberto de Melo, válidas para
o ano de 1917.

1 – Alambiques
2 – Base das engrenagens (que movimentavam as polias da Casa de farinha)
3 – Beira
4 – Bomba a Vapor
5 – Caldeira
6 – Carpintaria
7 – Carro-de-boi
8 – Casa de Farinha
9 – Casa do feitor
10 – Cocheiras
11 – Córrego (nascia no pomar, corria ao longo do casario recolhendo as sujidades
e desaguando no riacho Cachimbau)
12 – Depósitos de água
13 – Depósito de bagaço
14 – Depósito de lenha
15 – Depósito de cana e Picadeiro
16 – Depósito de produtos químicos (nos fundos da casa de máquinas) usados no
fabrico do açúcar
17 – Destilaria
18 – Entrada para descarga de lenha e de cana
19 – Espaços para o purgo e o soque do café20 – Ferraria, Ferragens e Polias
21 – Fornalhas
22 – Forno
23 – Forno para tachas
24 – Garagem e Guarda de arreios
25 – Guarda de vasilhames e peças sobressalentes
26 – Moenda
27 – Moinho de Fubá
28 – Peças de Carruagens
29 – Plataforma de desembarque de cana
30 – Poço
31 – Pomar
32 – Prensa de Mandioca
33 – Tanques e Tonéis
34 – Tulhas
Renque de Palmeiras Imperiais – marcando a ligação entre o conjunto e a estação
da estrada de ferro. BIBLIOGRAFIA

Fontes de Consulta:

1 – Relatório da FUNDREM (Fundação para o Desenvolvimento da Região
Metropolitana do Rio de Janeiro) de 1977.
2 – Entrevistas com os dois últimos proprietários da Fazenda São Bernardino (em
1967, Waldick Pereira entrevista Alberto Soares de Souza e Mello; em 1968 Ney
Alberto Gonçalves de Barros entrevista Giácomo Gavazzi, último proprietário). Documentação existente nos arquivos do IHGNI.
3 – Correspondências e anotações – cópias nos arquivos do IHGNI.
4 – PINTO, Alfredo Moreira. Apontamentos para o Dicionário Geográfico do Brasil. Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1894.
5 – ANÔNIMO. Traços Biográficos do Comendador Francisco José Soares. Tipografia Comercial, Rio de Janeiro, 1874.
6 – FORTE, José Mattoso Maia. Memória da Fundação de Iguaçu. Tipografia do
Jornal do Commércio Rodrigues e Cia. Rio de Janeiro, 1933.
7 – PEIXOTO, Ruy Afrânio. Tipografia do Colégio Afrânio
Peixoto. Nova Iguaçu, 1968.
8 – FAIRBANKS, George Eduardo. Observações Sobre o Comércio do Açúcar e o
Estado Presente Desta Indústria em Vários Países Acompanhadas de Instruções
práticas Sobre a Cultura da Cana e o Fabrico dos Seus Produtos. Tipografia C. Mercantil de R. Lessa e Cia. Bahia, 1847.
9 – GERSON, Brasil. O Ouro, o Café e o Rio. Livraria Brasiliana Editora. Rio deJaneiro, 1970.
10 – SANTOS, Noronha. Meios de Transporte no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1934.
11 – SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem Pelas Províncias do Rio de Janeiro e
Minas Gerais 1816-1822. Editora Itatiaia, Edusp. Belo Horizonte, São Paulo, 1975.
12 – PEREIRA, Waldick. Cana, Café e Laranja – História Econômica de Nova
Iguaçu. Fundação Getúlio Vargas, SEEC, Instituto Estadual do Livro. Rio de Janeiro,
1977.

02/12/2025

São Bernardino é símbolo do quê?
Texto Thiago Rachid
Seguidor e colaborador

Desde criança tive a percepção de que o casarão da Fazenda São Bernardino era um símbolo de Nova Iguaçu. Sou de uma geração que ainda lidou com as listas telefônicas e me lembro que várias delas tinham o casarão na capa.

A belíssima mansão de Bernardino de Mello foi inaugurada em 1875 e de lá seu dono comandava a fazenda de café que escoava sua produção pelo Rio Iguassú. Quem a conheceu de pé chegou a classificá-la como uma mini-Versalhes, em comparação exagerada com o palácio francês. Mas é possível, com isso, ter uma dimensão da grandiosidade da casa.

Era um tempo em que Iguassú era um mero conjunto de grandes fazendas e pouca gente. O imóvel pertenceu à família de seu primeiro proprietário por algumas décadas e, posteriormente, foi comprado pelo italiano Giacomo Gavazzi. Em 1951 foi tombado pelo IPHAN e em 1976 foi desapropriado, passando a ser um bem público.

Nas mãos de proprietários privados manteve-se de pé durante 101 anos. Mas foi só o governo se tornar dono e em menos de quatro anos o fogo destruiu o imóvel.

E ficou por isso mesmo. Ou melhor, piorou, pois ainda me lembro das ruínas em condições muito melhores que as atuais, mas a negligência permitiu que tijolos fossem roubados, paredes que sobreviveram ao incêndio despencassem e o prejuízo se ampliasse.

Mas quero, enfim, chegar ao ponto que interessa neste artigo: que São Bernardino é um símbolo, ninguém duvida. Mas símbolo do quê? Muitos dizem que é símbolo de um passado glorioso de progresso econômico, da pujança agrícola iguaçuana. Sim, é verdade. Mas esse simbolismo parece-me superado por outros. Explico adiante.

Desde que foi tomado do seu então proprietário em 1976 pelo poder público através do instituto da desapropriação, o casarão da São Bernardino vem construindo uma nova história. Nova e triste. A história de abandono, negligência, falta de iniciativa, descaso, descompromisso. E você que está lendo, deve estar atribuindo tudo isso aos governantes, não é?!

Sim, é claro que eles são culpados. Também são culpados. Mas não são os únicos. A culpa também é sua, é minha, é do seu e do meu vizinho. Aquelas ruínas simbolizam a nossa fraqueza como comunidade. É o nosso fracasso em forma de escombros.

Quando eu penso naquele casarão, eu lembro que você que está lendo e eu, e nossos amigos, parentes e demais concidadãos de Nova Iguaçu somos fracassados como comunidade de adultos. É um ícone da nossa imaturidade social. É a apoteose da nossa negligência, omissão e fraqueza.

Nós fomos incapazes de nos mobilizar para que o nosso maior símbolo fosse bem cuidado após desapropriado. Incendiado, lavamos as mãos e permitimos a ampliação do estrago. Quase meio século depois da desapropriação e 150 anos após a sua construção, o casarão da Fazenda São Bernardino continua cumprindo o papel de simbolizar nossa falência como sociedade local.

É claro que ao longo desse período alguns homens e mulheres lutaram por aquele patrimônio. Inclusive recentemente. Eu sei e poderia citar o nome de muitos deles. Mas estes que lutaram só ampliam nossa vergonha. Eles lutaram e não lutamos com eles. A cidade viu seus exemplos e cruzou os braços, provavelmente com um muxoxo: “pra que isso?”.

E de “pra que isso?” em “pra que isso?” edificamos nossa mediocridade, orgulhosos dos tempos áureos de uma São Bernardino para a qual nada contribuímos.

01/12/2025

Hoje comemoro 14 anos no Facebook. Obrigado pelo apoio contínuo de vocês, que foi indispensável para mim. 🙏🤗🎉

Com Helder Ferreira Acabei de receber o status de superfã! 🎉
09/11/2025

Com Helder Ferreira Acabei de receber o status de superfã! 🎉

Mais que um nome. Uma identidade. Para muitos, Tinguá é uma região. Para mim, é um campo de pesquisa, um lar e a fonte d...
06/11/2025

Mais que um nome. Uma identidade. Para muitos, Tinguá é uma região. Para mim, é um campo de pesquisa, um lar e a fonte do meu trabalho.
Quem acompanha minha trajetória sabe que minha atuação em projetos sociais e ambientais em Tinguá/Nova Iguaçu não é de hoje. É uma caminhada de escuta, de gestão territorial e de profunda conexão com as histórias e os saberes deste lugar.
Meus estudos em Psicologia Ambiental apenas deram nome àquilo que eu já vivenciava na prática: a forma como o nosso ambiente molda quem somos, e como nossa identidade está intrinsecamente ligada ao nosso território. Não somos separados do nosso meio; somos parte dele.
A BIOTINGUÁ nasceu exatamente dessa intersecção.
Não é apenas um nome comercial. É um conceito que une "Bio" (Vida) e "Tinguá" (Território). É o resultado de anos de pesquisa e vivência, transformados em um negócio que carrega o DNA desta terra.
Hoje, com imenso orgulho, anuncio que esse conceito está oficialmente protegido. A BIOTINGUÁ recebeu o Certificado de Registro de Marca do INPI (Proc. 932556981).
O que isso significa?
Significa que a nossa identidade está segura. Para vocês, clientes e parceiros, é a garantia oficial de que cada produto, serviço ou projeto que leva este nome carrega essa essência, esse estudo e esse profundo respeito pelas nossas raízes.
Este registro não é apenas sobre propriedade. É sobre propósito.
Obrigado por fazerem parte desta história.

Helder Ferreira Helder ferreira Helder Ferreira Helder Ferreira

06/11/2025

A Fazenda São Bernardino, localizada em Nova Iguaçu (RJ), é um marco arquitetônico e histórico do século XIX, representativo do ciclo do café na Baixada Fluminense. Construída em 1875 em estilo neoclássico, foi tombada pelo IPHAN em 1951, sendo reconhecida por sua relevância cultural por figuras como o poeta Carlos Drummond de Andrade. Após décadas de declínio, abandono, saques e um incêndio criminoso em 1983, a fazenda se encontra em estado de arruinamento. A posse do imóvel, após uma longa disputa judicial, foi consolidada pela Prefeitura de Nova Iguaçu em 2017, abrindo caminho para iniciativas de recuperação. Atualmente, um projeto de restauração está em curso, financiado pelo Novo PAC Seleções, com o objetivo de transformar o local no "Museu Vila de Iguassú". Esta iniciativa visa não apenas reconstruir as estruturas físicas, mas também resgatar a memória coletiva da região, com foco na história do trabalho escravizado e no desenvolvimento econômico da antiga Vila de Iguassú. Apesar do progresso, o processo enfrenta desafios históricos relacionados à falta de continuidade das políticas de preservação, dificuldades burocráticas e a necessidade de engajamento contínuo da sociedade civil e das diferentes esferas de governo para garantir a sustentabilidade do projeto.

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1. Histórico e Relevância Cultural

A Fazenda São Bernardino constitui um dos mais importantes exemplares da arquitetura rural fluminense, sendo um símbolo do apogeu econômico da antiga Vila de Iguassú.

1.1. Fundação e Apogeu

* Construção e Estilo: A construção da fazenda foi finalizada em 1875, conforme inscrição que existia em sua fachada. Fundada pelo português Bernardino José de Souza e Melo, a casa-sede adota um estilo neoclássico "apalacetado", uma tendência arquitetônica do período.
* Importância Econômica: A propriedade foi um polo de produção de café, açúcar, aguardente, farinha de mandioca, carvão e madeira. Sua produção era voltada tanto para o sustento interno e de parentes quanto para fins comerciais, como a aguardente (2.000 litros por ano em 1917) e o polvilho.
* Estrutura e Complexo: O conjunto arquitetônico era completo, incluindo a casa-grande imponente sobre um promontório, senzalas, engenhos de cana e mandioca, cavalariças e garagem para carruagens. Pela fazenda passava a extinta Estrada de Ferro Rio D'Ouro, com uma estação chamada São Bernardino, acessada por uma alameda de palmeiras imperiais.
* Reconhecimento Histórico: O poeta Carlos Drummond de Andrade, em parecer para o tombamento pelo IPHAN em 1950, descreveu a casa-grande como “uma das mais características construções rurais do ciclo do café no território fluminense, se não for de todas a mais expressiva, constituindo exemplar de valor excepcional”. O parecer foi assinado em conjunto com o arquiteto Lucio Costa.

1.2. Declínio, Abandono e Degradação

* Mudança do Eixo Econômico: O declínio da fazenda iniciou-se com a perda de importância da Vila de Iguassú, cujo eixo econômico se deslocou para Maxambomba (atual centro de Nova Iguaçu) com a inauguração de novas ferrovias. A antiga vila sofreu com a desertificação e surtos de malária.
* Novos Proprietários e Exploração: Em 1917, os herdeiros de Bernardino venderam a fazenda aos sócios João Julião e Giácomo Gavazzi. Gavazzi promoveu um "violento corte nas florestas existentes" para tentar implantar a citricultura, abatendo palmeiras imperiais e danificando estruturas como as cocheiras.
* Saques e Abandono: Após o fracasso comercial, a propriedade foi loteada e abandonada. Ao longo das décadas, sofreu com saques contínuos que levaram móveis, lustres, acabamentos e até a placa de inauguração.
* O Incêndio de 1983: O golpe final ocorreu na madrugada de 30 de março de 1983, quando um incêndio de causas criminosas nunca totalmente esclarecidas destruiu grande parte do que restava da casa-grande, incluindo pisos, estuques e o telhado. Após o incêndio, o local foi ainda mais saqueado e abandonado.

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2. Processo de Tombamento e Disputa Judicial

O reconhecimento oficial da importância da fazenda foi um processo longo, seguido por décadas de incerteza sobre sua propriedade e responsabilidade de conservação.

2.1. Tombamento pelo IPHAN

* Solicitação: Em janeiro de 1940, o então prefeito de Nova Iguaçu, Ricardo Xavier da Silveira, solicitou formalmente o tombamento ao SPHAN (atual IPHAN), preocupado com a possibilidade de destruição pelo proprietário da época.
* Efetivação: A Fazenda São Bernardino foi oficialmente tombada pelo IPHAN em 26 de fevereiro de 1951, com inscrição no Livro do Tombo das Belas Artes.

2.2. A Disputa pela Posse

* Primeira Desapropriação (1975): Vendo o avançado estado de degradação, a Prefeitura de Nova Iguaçu desapropriou a fazenda em 1975 com a intenção de criar um museu e uma área de recreação.
* Revogação e Incerteza Jurídica: Após o incêndio de 1983, os herdeiros de Giácomo Gavazzi entraram com uma ação judicial e, em 1984, reaveram a posse do imóvel devido a desacordos sobre a indenização. Por décadas, o bem permaneceu em um limbo jurídico, o que impediu ações efetivas de conservação tanto pelo poder público quanto pelos proprietários.
* Posse Definitiva do Município (2017): A posse foi formalmente cedida ao município em 2006, mas a disputa judicial se arrastou. A decisão final que concedeu o registro de posse à Prefeitura de Nova Iguaçu ocorreu em 11 de outubro de 2017, um passo fundamental para viabilizar os projetos de revitalização. O procurador-geral do município, Rafael Alves, comentou: “Agora a cidade vai ter autonomia para cuidar da Fazenda São Bernardino. É uma grande vitória do povo iguaçuano”.

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3. Estado Atual e Projetos de Restauração

Atualmente em ruínas, a fazenda é alvo de um ambicioso projeto de revitalização que busca transformá-la em um centro cultural e de memória para a Baixada Fluminense.

3.1. Condição das Ruínas

Hoje, resta apenas o "esqueleto da edificação". As ruínas estão cobertas por vegetação, pichações e sujeitas à ação contínua do tempo. Apesar do estado precário, a estrutura imponente ainda atrai o interesse da população, sendo frequentemente usada como cenário para fotografias e atividades informais, o que demonstra seu forte simbolismo e potencial de apropriação cultural. A falta de segurança, no entanto, expõe visitantes a riscos, como a queda de telhas e o colapso de paredes.

3.2. Iniciativa de Restauração (2022)

Em 2022, a Prefeitura de Nova Iguaçu, com apoio do IPHAN e do Governo do Estado, iniciou uma primeira etapa de recuperação.

* Investimento: R$ 1,5 milhão do poder municipal.
* Escopo: Restauração do antigo armazém (tulha) e do imóvel que abrigava a senzala.
* Ações: O projeto contemplava o projeto executivo, prospecções arqueológicas (já finalizadas) e as obras.
* Declaração: Olav Schrader, superintendente do Iphan-RJ, celebrou a iniciativa como "o fim de um longo período de arruinamento" e "o momento da virada na recuperação deste bem".

3.3. Projeto "Museu Vila de Iguassú" (2025)

A iniciativa mais recente e abrangente visa a reconstrução da sede e a criação de um museu.

* Financiamento: O projeto foi selecionado pelo Novo PAC Seleções – IPHAN. O repasse total para a elaboração do projeto executivo é de **R 1.010.000,00**, com uma primeira parcela de R 505 mil já liberada para a prefeitura.
* Objetivo: Transformar o espaço no Museu Vila de Iguassú, com exposições sobre a história regional, a resistência negra e os ciclos econômicos. O historiador Carlos Eduardo de Almeida, consultor do projeto, destaca: “Não se trata apenas de reconstruir paredes. Trata-se de devolver à população um espaço de memória coletiva, que guarda as marcas do trabalho escravizado, do protagonismo afro-brasileiro e das transformações sociais da Baixada Fluminense”.
* Participação Social: O processo prevê a realização de audiências públicas e visitas guiadas. Uma audiência pública foi convocada para 25 de fevereiro de 2025 para discutir a "Requalificação da Fazenda São Bernardino".
* Escopo do Projeto: Prevê a restauração das estruturas remanescentes, recuperação de elementos simbólicos como o pátio interno e áreas de cultivo, e a adaptação do espaço para atividades educativas, culturais e de turismo de base comunitária, integrando a fazenda a um circuito com o centro histórico de Iguassú Velha.

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4. Desafios e Análise Crítica

A trajetória da Fazenda São Bernardino evidencia desafios estruturais na preservação do patrimônio no Brasil, especialmente a nível municipal.

* Falta de Política Municipal de Preservação: Nova Iguaçu não possui uma lei municipal de tombamento instrumentalizada, o que fragiliza a proteção de seu patrimônio e centraliza a responsabilidade em esferas estaduais e federais.
* Descontinuidade e Vontade Política: Projetos de preservação anteriores não tiveram continuidade. A falta de vontade política consistente e a burocracia são apontadas como os principais entraves para ações efetivas e de longo prazo.
* Relações Interinstitucionais: A relação com órgãos como o IPHAN é descrita como, por vezes, dificultosa, com relatos de longas demoras para aprovações simples, como a autorização para cercar a área, que levou quase seis meses.
* "Fetiche" da Fazenda: Há uma crítica de que o foco intenso e midiático na Fazenda São Bernardino, embora importante, pode servir como distração, desviando a atenção do abandono e da destruição de outros patrimônios históricos igualmente relevantes na cidade e na região.

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Dados-Chave da Fazenda São Bernardino

Atributo Descrição
Ano de Construção 1875
Fundador Bernardino José de Souza e Melo
Estilo Arquitetônico Neoclássico
Tombamento IPHAN 26 de fevereiro de 1951 (Livro do Tombo das Belas Artes)
Incêndio Principal 30 de março de 1983 (causa criminosa)
Posse Atual Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu (consolidada em 11 de outubro de 2017)
Localização Estrada Zumbi dos Palmares (RJ-111), Vila de Cava, Nova Iguaçu, RJ
Projeto Atual Restauração e implantação do Museu Vila de Iguassú
Financiamento (Projeto Executivo) R$ 1.010.000,00 (via Novo PAC Seleções – IPHAN)
Área Total Aproximadamente 16.000 m²

Biomassa de Banana Verde: Nutrição inteligente para corpo e mente.Descrição:O consumo diário de 50g de biomassa de banan...
26/04/2025

Biomassa de Banana Verde: Nutrição inteligente para corpo e mente.

Descrição:
O consumo diário de 50g de biomassa de banana verde é respaldado por evidências científicas sólidas:

Melhora do desempenho cognitivo: A biomassa é rica em amido resistente e prebióticos que fortalecem a microbiota intestinal, impactando positivamente o eixo intestino-cérebro, favorecendo memória e raciocínio. (Fonte: Cryan et al., 2019 - Neurobiology of Stress)

Prevenção de doenças neurodegenerativas: Compostos bioativos da banana verde apresentam ação antioxidante e anti-inflamatória, protegendo as células neuronais. (Fonte: De Souza et al., 2020 - Journal of Functional Foods)

Redução e controle glicêmico: O amido resistente auxilia na modulação da resposta glicêmica pós-prandial, essencial para prevenção da diabetes tipo 2 e controle de peso. (Fonte: Behall et al., 2006 - Nutrition Research)

Comer com inteligência é pensar no futuro.
Faça da biomassa de banana verde seu aliado diário na performance cerebral e no equilíbrio metabólico.

Encomendas via WhatsApp: (21) 2431-4987 (somente mensagens).

🚨 *Atenção, população de Nova Iguaçu!* 🚨Foi publicada hoje no *Diário Oficial* a *convocatória para a Audiência Pública*...
12/02/2025

🚨 *Atenção, população de Nova Iguaçu!* 🚨

Foi publicada hoje no *Diário Oficial* a *convocatória para a Audiência Pública* sobre a *Requalificação da Fazenda São Bernardino* e a criação do *Museu Vila de Iguassú*! 🎉

Este é um momento importante para o futuro de nossa cidade e patrimônio histórico. A audiência será realizada no *dia 25 de fevereiro*, das *14h às 17h*, no *Teatro Sylvio Monteiro*, e será uma oportunidade para discutirmos a preservação da Fazenda São Bernardino e sua transformação em um *museu* que representará a história de Nova Iguaçu. 🏛️

🔔 *Inscrições obrigatórias*: Devido à limitação de espaço, as inscrições para participação são obrigatórias e devem ser feitas até o *dia 24/02*.
💻 *Clique aqui para se inscrever*: (https://forms.gle/C5fB1NFQw3ddbAGQ8)

Não deixe de participar e ser parte dessa importante decisão para nossa cidade! Vamos juntos garantir que nossa história seja preservada! 🌟
[12/02, 13:34] Gpt: 📅 *Data*: 25/02
⏰ *Horário*: 14h às 17h
📍 *Local*: Teatro Sylvio Monteiro

Formulário de inscrição para participar da audiência pública sobre o projeto nº 20411000184/2023, aprovado pela portaria do IPHAN de nº 156 de 2023, que discute a Requalificação da Fazenda São Bernardino, patrimônio cultural tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Na...

Atenção!Foi publicada na manhã de hoje em Diário Oficial a convocatória para Audiência Pública para a Requalificação da ...
12/02/2025

Atenção!

Foi publicada na manhã de hoje em Diário Oficial a convocatória para Audiência Pública para a Requalificação da Fazenda São Bernardino para a Criação do Museu Vila de Iguassú.

A audiência acontecerá no dia 25 de fevereiro, das 14h às 17h, no teatro Sylvio Monteiro.

As inscrições serão obrigatórias para todos os participantes e grupos, dado a limitação de espaço físico do teatro, e poderão ser realizadas por meio de formulário digital, no seguinte link:
https://forms.gle/C5fB1NFQw3ddbAGQ8, que também estará disponível nos canais de comunicação da Prefeitura de Nova Iguaçu e da Secretaria Municipal de Cultura, até dia o 24/02. (disponível também na Bio do Instagram).

Participe!

Endereço

EStrada Zumbi Dos Palmares
Nova Iguaçu, RJ
23070-390

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