06/07/2020
“Conseguir dominar um animal de grande porte, com vontade própria, é uma experiência única. Envolve aprendizados tão específicos, que só uma relação dessa natureza pode proporcionar. A criança tem que pensar mais rápido que o cavalo, precisa antecipar seus movimentos, raciocinar sobre como irá fazer tal percurso, como movimentar seu corpo, mãos e pernas, para que o animal compreenda o que ela quer e obedeça a seus comandos.
Descobre que sua postura sobre o animal é tão importante quanto o controle das rédeas, e começa a corrigi-la automaticamente, enquanto desenvolve o equilíbrio, força muscular, noção espaço temporal, coordenação motora fina e ampla, além das percepções tátil, olfativa, visual e auditiva.
O cavalo dá sinais para a criança, se ela está ou não agindo corretamente. O cavalo a corrige assim que percebe o erro, ensinando e impondo limites, reagindo positivamente quando o erro é corrigido. A criança vai percebendo estes sinais e a sintonia sendo estabelecida.
Imagine toda essa ação sobre o desenvolvimento emocional! A criança desenvolve autocontrole, autonomia e uma visão positiva de si mesma. Aprende que tão importante como ser respeitada, é respeitar!
Se pensarmos em todo esse impacto na vida de uma criança saudável, o que dizer daquelas que apresentam alguma dificuldade ou deficiência?
Conseguir impor suas vontades a um animal tão grande, faz com que outros problemas se tornem menores, mais fáceis de serem resolvidos. Além de que, qualquer pessoa que anda a cavalo ao passo recebe estímulos através da coluna, que vão agir diretamente no cérebro, estimulando novas sinapses.
Isso acontece porque o caminhar do cavalo reproduz o caminhar do ser humano, com movimentos tridimensionais. Observem uma pessoa andando ao lado de outra, montada em um cavalo. Os corpos, do quadril para cima, movimentam-se da mesma maneira: de um lado para outro, para frente e para traz, para cima e para baixo. O cérebro deve pensar: Opa! Esse corpo está andando! Tenho que fazer algo para ajuda-lo!
E sabe quem opera este milagre? O cavalo!
Idade limite para montar? Não existe!” Texto: Monique Lima Gelbcke @ Naviraí