15/03/2026
Atribuir agressividade a determinadas raças de cães é algo comum. Mas a ciência vem mostrando que o comportamento é bem mais complexo do que apenas genética.
Por Rodrigo Ávila (comportamentalista e fundador do Centro Pettutti), Pós-graduado em Comportamento de Cães e Gatos (INSPA–Universidade Tuiuti/PR) e em Neurociência e Comportamento (PUC/RS).
Um estudo publicado em 2025 na revista Scientific Reports, com mais de 4.500 cães, investigou fatores associados ao medo e à agressividade na vida adulta.
Os resultados mostram uma associação importante entre experiências adversas nos primeiros meses de vida e níveis mais altos de medo e agressividade no futuro.
Isso não significa que genética ou raça não tenham influência. Mas reforça algo cada vez mais discutido na ciência do comportamento: o desenvolvimento emocional é resultado da interação entre genética e ambiente, especialmente nas fases iniciais da vida.
Hoje sabemos também que experiências precoces podem influenciar até a expressão dos genes, um processo conhecido como epigenética.
Por isso a qualidade das experiências vividas por um filhote, especialmente nos primeiros meses, pode ter um impacto duradouro no seu comportamento.
Estudo: Influence of early life adversity and breed on aggression and fear in dogs (Scientific Reports).