29/04/2021
Caso clínico: Ptiose Equina
A pitiose é causada pelo fungo Pythium insidiosum e acomete eqüinos, felinos, caninos, bovinos e humanos. A espécie eqüina é a mais atingida e a lesão causada pelo fungo se restringe, geralmente, à pele e tecidos subcutâneos. Casos de pitiose com envolvimento de outros tecidos, como ossos, linfonodos, olhos, artérias e órgãos dos sistemas digestivo e respiratório, já foram descritos nas diferentes espécies susceptíveis.
O fungo é parasita de plantas aquáticas, nas quais, em condições de temperaturas elevadas, realiza reprodução assexuada produzindo zoósporos biflagelados que infectam os animais. Nestes, o fungo só apresenta crescimento vegetativo, sem produção de zoósporos e, portanto, não há transmissão de um animal para outro.
O fungo é encontrado em todos os continentes em áreas pantanosas tropicais, subtropicais e temperadas. A espécie eqüina, pelo hábito de pastejar em áreas alagadas, é a mais acometida.
A pitiose ou ferida-brava, como é denominada no Pantanal, caracteriza-se pelo desenvolvimento de lesões cutâneas granulomatosas, ulceradas ou fistuladas, localizadas, principalmente, nos membros, cabeça e partes baixas do tórax e abdome. De evolução rápida, o tratamento com quimioterápicos é demorado, e na maioria das vezes ineficaz, por causa da ausência de esteróides na membrana celular, componente alvo de ação da maioria das dr**as antifúngicas.
A pitiose ocorre principalmente no verão, período de chuvas intensas e temperaturas altas, evidenciando a relação do agente etiológico com locais alagados e o calor. O diagnóstico da doença é realizado pelos sinais clínicos, histopatologia, isolamento do agente e por técnicas imunológicas, como imuno-histoquímica, imunodifusão em gel e ELISA. Precisa ser diferenciada de outras lesões semelhantes, como a habronemose cutânea, causada pela localização errática de larvas de Habronema spp., nematóides parasitas do sistema digestivo de eqüinos.