12/06/2025
O legado da Meg
Já faz um tempinho que nossa senhorinha Meg partiu e esse texto é muito mais sobre reflexão do que sobre despedida.
A Meg chegou em nossas vidas em um momento em que eu estava deprimida e aquela filhotinha cheia de vida, maluquinha e independente, encheu minha vida de amor e preencheu o vazio que eu sentia.
Tudo o que fazíamos ela participava e ela realmente deixava nossas dias, passeios e nossas vidas mais feliz. Eu estava tão apegada a ela que eu sofria quando saíamos e ela não ia conosco. Já ela mesma, independente que era, não estava nem aí!
Com o passar do tempo e a chegada dos novos bichos, nosso dia-a-dia foi mudando. Novas atenções, responsabilidades, dias mais cheios e até cansativos, mas a Meg, incrível como era, seguia se adaptando, mostrando os limites dela sem exageros e seguindo independente, sempre alegre e ao nosso lado.
Aos 10 anos, ela ficou com hiperadrenocorticismo e eu achei que em dois ou três anos nos despediríamos dela. Eu recebi essa notícia com um baita "bac" e senti vontade de viver com ela mais intensamente outra vez. Aos poucos e, inconscientemente, fui me despedindo dela e me preparando para o momento da partida. A verdade é que, mesmo com os outros, eu era tão apegada a ela, que eu tinha a sensação de que, quando ela partisse, seria devastador para mim.
Meg chegou aos 14 e uma nova condição surgiu: demência. Dessa vez, eu não fiquei tão angustiada com o notícia. Eu me sentia era impressionada e agradecida de ela ainda estar conosco. Mas, infelizmente, ao contrário da outra doença, que mal percebemos, a evolução da demência não teve nada de bom. Passamos por fases angustiantes e, vimos, não tão aos poucos, tudo aquilo o que amávamos na personalidade da Meg ir se perdendo, salvo por alguns momentos aleatórios de lucidez.
Agora sim, assistíamos a Meg realmente partindo. Foram mais dois anos até que chegou o momento de nos despedirmos.
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