04/03/2016
Vale a leitura para quem pretende acasalar sua cadela para ter filhotinho e ficar com todos!! Aham!!! Senta ai e leia, é um texto bem básico numa linguagem que todos conseguem compreender.
QUERIA TER FILHOTINHOS DELA(e) APENAS 1 VEZ...
Muitos Tutores, por amor aos seus cães, desejo de familiares, etc., pensam em acasalar sua cachorrinha (inho) “ pelo menos 1 vez. Muitas vezes por desconhecimento acreditam que a reprodução de cães é algo relativamente simples, sem riscos envolvidos, mas não é bem assim. Vamos pensar juntos alguns pontos problemáticos sobre a reprodução “caseira” de cães de estimação:
- Muitas raças e indivíduos apresentam problemas de saúde de origem genética que podem passar para os filhotes. Antes da reprodução bons criadores realizam diversos exames de saúde visando reduzir a incidência destes problemas nos futuros filhotes. Raças pequenas são assoladas por luxação de patela e problemas de coração (por exemplo). Outras doenças genéticas são o Hipotireoidismo e a Alopecia X (esta última principalmente na raça Spitz Alemão). Antes de acasalar vc deverá fazer a avaliação das patelas (por Rx, avaliados por Veterinário Ortopedista), painel tireoidiano (exames hormonais de sangue, avaliados por Veterinário Endocrinologista), passar por avaliação com Cardiologista Veterinário para avaliação do coração (eventualmente serão necessários exames). Por conta da Alopecia X em Spitz, cães que não passaram pela 1ª muda aos 4/5 meses e cães com menos de 2 anos de idade não deverão ser acasalados – o ideal seria conhecer os familiares para se certificar que não hajam parentes afetados. Se vc “pular” estes exames (tanto na sua cadelinha quanto no macho que irá acasalar com ela – ou vice versa) vc estará correndo o grande risco de colocar filhotes no mundo que sofrerão durante toda a vida por problemas de saúde, muitas vezes graves;
- Doenças venéreas: sim, há doenças venéreas (passadas pelo acasalamento) graves entre cães. Antes de acasalar tanto o macho quanto a fêmea deverão ser testados;
- Distocia (problemas no parto): de maneira nenhuma acasalar machos menores com fêmeas maiores é uma garantia de um parto sem complicações. Raças com grande variação de tamanho (como o Spitz, o Chihuahua, o Pequinês, etc.) tem no seu arcabouço genético a possibilidade de gerar filhotes (muito) maiores que os pais (independente do tamanho destes). Não só isso, como a conformação da fêmea, quantidade de filhotes (ninhadas menores tendem a permitir maior crescimento dos fetos – em raças pequenas não é incomum haver somente um filhote, que acaba crescendo muito mais dentro do útero) e outras variáveis impossíveis de avaliar contribuem para problemas no parto. Assim é bastante frequente que seja necessária a realização de cesárea. Este é um procedimento caro (ainda mais se for emergência, durante a noite ou fins de semana) e que envolve riscos reais. Vc também muitas vezes terá que auxiliar no parto, retirar a bolsa, cortar o cordão. A mãe algumas vezes rejeita os filhotes, outras vezes não tem leite suficiente - vc terá como alimentar estes filhotes a cada 2 horas, dia e noite?
- Destino dos filhotes: vc tem certeza de quem ficará com todos os filhotes que nascerem? Tem certeza que dedicarão o mesmo amor e cuidados que vc dedica? Estarão dispostos a fornecer a melhor alimentação, liberdade pela casa e cuidados veterinários? Vc tem CERTEZA?
Se vc está disposto a fazer o necessário para garantir a saúde dos futuros filhotes (incluindo os exames de saúde dos pais), e seu bem estar, correr os riscos que a prenhez representa (ainda mais em raças pequenas) ótimo – vá em frente – mas sempre com informação e responsabilidade!
Alex Bastos Baptista - Médico Veterinário Endocrinologista