31/03/2026
Se eu fosse dono e tivesse de deixar o meu cão na Páscoa, não começava por procurar o sítio mais perto, nem o mais barato, nem sequer o que tivesse mais fotos bonitas, começava por tentar perceber uma coisa muito mais simples, mas muito mais importante: será que ele vai estar realmente bem aqui?
Porque uma coisa é deixá-lo, outra completamente diferente é saber que ele vai adaptar-se, que não vai passar o dia perdido ou ansioso, que vai ter espaço para explorar, tempo para descansar, estímulo na medida certa e, acima de tudo, pessoas que saibam ler o comportamento dele sem precisar que ele fale.
Eu iria reparar nos detalhes que normalmente passam despercebidos, na forma como os cães se movimentam no espaço, na postura deles, se estão tensos ou tranquilos, se procuram contacto ou se evitam, porque são esses sinais que dizem tudo o que um dono precisa de saber.
E também seria honesto comigo próprio: a Páscoa não se decide no dia antes.
Todos os anos é igual, os planos aparecem, as viagens confirmam-se, e de repente encontrar um lugar onde possamos confiar deixa de ser uma escolha e passa a ser uma corrida contra o tempo.
Por isso, se eu fosse dono, não deixava para depois.
Garantia primeiro que ele ficava bem.
E só depois tratava do resto.