22/09/2023
As vezes fico olhando pra ela sem acreditar que tive mais uma filha, que tem uma bebezinha em casa, que o amor poderia aumentar ainda mais. Nesse quase 1 ano e meio que pareceram uns 10, passamos por tantos desafios e dificuldades, tanto medo de não ser possível viver o inimaginável...ela lutou para estar aqui, ela quis pertencer a nossa família... tive medo de ama-la e perde-la, me fechei mais do que nunca, criei um escudo dentro de mim mesma... e ela conseguiu, foi forte mesmo não recebendo todos os nutrientes necessários, cada ultrassom havia a expectativa de ter boas notícias, de vc ganhar peso, de estar saudável, as vezes saía mais triste, as vezes esperançosa, com medo, sempre. O nó no cordão poderia não ter permitido que vc sobrevivesse, e mesmo tão pequenininha, magrinha, vc foi forte, mais que eu, respirou sozinha, quis mamar, quis ficar aqui. Não havia conseguido colocar pra fora um pouco do que passamos pq ainda me pego pensando se foi verdade...
Vendo essa bebezinha deitada no tapete, meu coração se enche de amor, sinto que tive mais uma chance, mais uma oportunidade de sentir esse amor por uma filha. Achava que poderia não ser como meu amor pela Cecília, um amor baseado na troca e no respeito, que me ensinou a ser e querer ser melhor a cada dia... agora vejo que meu amor pela Cecília me permitiu amar a Olívia. Por elas me descobri, e sei quem sou, e tenho muito orgulho disso.